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domingo, 3 de maio de 2009

DIA INTERNACIONAL DO SOL


A moda d' O Sol (ou "Lundum") é uma das mais belas do rico cancioneiro popular da Ilha Terceira.
Com ela, através das suas quadras, associamo-nos ao Programa das Nações Unidas para o Ambiente, que hoje comemora o "Dia do Sol".




O sol apareceu brilhando
Par fazer inveja à lua
Mas ao brilho dos teus olhos
A vitória foi só tua

O sol perguntou à lua
Se o queria namorar
Por não saber que o meu bem
Mais que ninguém sabe amar

Numa versão imortalizada pelo José da Lata mas também cantada por Adriano Correia de Oliveira e Zeca Afonso.

O sol "preguntou " à lua
Quando havia amanhecer
À vista dos olhos teus
Que vem o sol cá fazer?

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quarta-feira, 1 de abril de 2009

SEMPRE LEAL


No 1º dia de Abril de 1643, por alvará régio de D. João IV, foi concedido à cidade de Angra do Heroísmo o título de Sempre Leal.


sábado, 28 de março de 2009

CAPITAL DO DISTRITO


Neste dia do ano de 1836 foi publicado o decreto determinando que a ilha Terceira fosse, a partir de então, a capital do Distrito Central do arquipélago dos Açores.

quarta-feira, 18 de março de 2009

CASA DA MOEDA NA ILHA TERCEIRA

Neste dia, no ano de 1829, estabelece-se no Castelo de S. João Baptista, em Angra do Heroísmo, a casa da moeda, por ordem da Junta Provisória em nome da Rainha D. Maria II.

sábado, 28 de fevereiro de 2009

MAIS VALE TARDE DO QUE NUNCA

Uma gripe reincidente deixou-me de rastos e em casa nestes dias de Entrudo. Com o bichinho a morder lá fui acompanhando, através dos meios disponíveis – rádio e internet -, o que se passava ao redor da ilha. Vi e ouvi algumas danças, comédias e “bailhinhos”. Mais importante do que qualquer avaliação pessoal que se possa fazer sobre cada um dos trabalhos apresentados, o que é verdadeiramente relevante é a vitalidade que esta manifestação cultural de cariz popular revela.
Autores, músicos, actores, dançarinos, costureiras e ensaiadores (e os demais que mesmo sem título são imprescindíveis ao sucesso do projecto – pra cima de 2500 pessoas), despidos dos seus rótulos sociais deram, mais uma vez, uma eloquente lição de amor e de respeito a esta vertente do seu património cultural. O prazer individual de participar nestas manifestações só se completa quando repartido com todos aqueles que os aguardam nos salões e que, durante quatro longas noites, esperam ouvir aquilo que lhes apetece dizer mas não podem, rir sobre as suas próprias desgraças ou chorar sobre as suas amarguras.
É assim o Entrudo da Terceira: feito e partilhado com paixão.

Uma nota preocupante:

Em 26 de Fevereiro do ano passado editei um “post” com o título “Andam a Tramar a Tradição”. Aí apontava alguns sinais que, quanto a mim, eram indiciadores de que alguns perigos poderiam estar a minar, ainda que de forma indelével, esta manifestação cultural.
A ter em conta as declarações que ouvi, proferidas por responsáveis ou apenas participantes das “danças e bailinhos”, nas várias entrevistas que as rádios lhes fizeram e transmitiram este ano, os meus receios são já partilhados por outros. ´
É caso para dizer "Mais vale tarde do que nunca"

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

ANDAM A TRAMAR A TRADIÇÃO

A tradição do Carnaval na Ilha Terceira é um fenómeno interessante de resistência ao estereótipo brasileiro, contrariando o que acontece um pouco por toda a parte onde é festejado. Uma resistência pacífica, sem dirigismos nem tutela, que provém apenas da vontade do “povo”.
As manifestações de Entrudo na Terceira tomam a forma de “danças de espada”, “danças de pandeiro”, “bailhinhos” e “comédias” e são, na opinião abalizada de José Orlando Bretão (1939 - 1998) advogado e estudioso do folclore açoriano, em especial das danças de Carnaval, exemplos de teatro puro, reminiscências do teatro medieval. São também para este investigador, a única e a última manifestação de cultura verdadeiramente tradicional e popular desta Ilha. Como ele gostava de sublinhar este é “o maior festival de teatro do mundo”.
A sua vitalidade pode medir-se pelos números aproximados deste ano, que pecarão certamente por defeito: 60 grupos organizados, envolvendo cerca de 2 000 pessoas, de entre músicos, actores, costureiras, autores de enredos e das músicas, ajudantes, etc., etc.. Efectuaram-se cerca de 1 600 representações para um público estimado em mais de 30 000 espectadores, numa ilha com pouco mais de 60 000 habitantes. Isto em apenas 4 dias! É obra!
Perante tamanho vigor pode concluir-se que esta tradição está de pedra e cal.
Estará?
No que diz respeito ao empenho popular e ao seu envolvimento espontâneo nesta tradição, não restarão dúvidas que sim e, o que é muito importante, de uma forma transversal a todos os sexos, idades e condições sociais. Exemplos inteligentes de criatividade e inovação nos textos dos enredos e nas músicas também não faltam. A qualidade dos actores e dos executantes musicais é cada vez mais apurada. A evolução é endócrina, permanente e natural e é, ao fim e ao cabo, o que mantém viva a tradição evitando assim a sua “folkorização”.
Mas existem alguns sinais de perigo que, de forma dissimulada, começam a minar esta herança cultural. Sem exaustão vou referir apenas aqueles que, quanto a mim são os mais gritantes:

1 – A crescente banalização dos eventos com o prolongamento das exibições fora da quadra carnavalesca como vem acontecendo nos últimos anos. Neste capítulo julgo que muita da responsabilidade cabe aos próprios grupos que, provavelmente com a melhor das intenções, estão a satisfazer interesses que não os seus. É que, lá diz o velho ditado, “o melhor da festa é esperar por ela”. Tal como defendi em outro artigo deste blog – As Quadras – tudo tem o seu tempo próprio ou então cheira a mentira, a vigarice, a artificialismo. A continuar assim, daqui por algum tempo, poderemos ver danças e bailinhos de Carnaval o ano todo, transformados em espectáculos de teatro ligeiro e de variedades.

2 - A moderna tendência de classificar as “danças e os bailinhos” fomentada e veiculada pelos órgãos de comunicação social pode vir a tornar-se uma arma letal par a maioria destes. Por tradição os grupos organizam-se sem intuitos competitivos, tendo apenas como único objectivo o aspecto lúdico. A criação de uma “divisão de elite”, onde só caberão apenas alguns, irá resultar inexoravelmente no desaparecimento dos preteridos.

3 – Todas as tentativas de regulamentação da acção destes grupos devem ser evitadas. Mesmo que aparentemente inofensivas como é o caso da hipotética calendarização das exibições e a organização dos percursos. Cada grupo deve gerir internamente todos os passos que irá percorrer desde a hora em que os elementos se juntam e decidem organizar-se até à última actuação de terça-feira gorda.

4 – A concentração dos espectáculos em grandes pavilhões multiusos, auditórios ou teatros, em detrimento das Sociedades Recreativas das freguesias rurais, é uma tendência recente que vem prejudicar e descaracterizar toda a envolvente da festa. O Carnaval tradicional na Terceira é um autêntico festival dos sentidos: é ver e ouvir “danças e bailinhos”; é tocar e abraçar o amigo que já não se via há algum tempo; é cheirar os petiscos que se preparam nos bares das sociedades; é provar da merenda que o ocupante da cadeira ao lado preparou para estes dias.
Por outro lado as “danças e bailinhos” são espectáculos de proximidade, em que os “artistas” e o público quase se tocam. O convencionalismo dos grandes espaços cria um fosso entre o palco e a plateia impossibilitando essa simbiose.

O diagnóstico precoce destes ou de outros perigos que espreitam esta herança cultural e a sua consequente denúncia é a única arma ao nosso alcance para fazer frente àqueles que, voluntária ou involuntariamente, andam a tramar a tradição