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quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

ALMANAQUES

Um almanaque ou Almanach (do árabe al-manākh, segundo Antenor Nascentes) é uma publicação, quase sempre anual, que reúne calendário com datas das principais efemérides astronómicas como os solstícios e fases lunares. Actualmente os almanaques englobam outras informações com actualizações periódicas específicas a vários campos do conhecimento.

Segundo Correia e Guerreiro, o primeiro almanaque editado em Portugal foi impresso em Leiria em 1496: o “Almanach Perpetuum” de Abraão Zacuto. Fornecia tábuas logarítmicas e outras indicações com respeito ao curso do sol para cada dia do ano.
Em 1518 e 1585 é editado o “Reportório dos Tempos” por Valentim Fernandes e André de Avelar, respectivamente.
Em 1603 Manuel de Figueiredo publica em Lisboa a sua “Cronografia Reportório dos Tempos”.
Em 1644, com apenas oito folhas, editam-se os “Prognósticos e Lunários”. São compostos por licenciados como Galhanos Lourosa, Paes Ferraz, Francisco Espinosa, Gonçalves da Costa, e são impressos nas oficinas de António Alvarez, António Graesbeck ou J. Galrão. Estes Prognósticos virão a transformar-se mais tarde no tão popular Borda-d’água.

A segunda metade do século XIX testemunha a proliferação deste tipo de publicações de incontestável importância, se bem que cada vez mais distanciados do avanço científico e técnico que então se conhece.
De acordo com os seus públicos, podem ser um pequeno folheto, dirigido à população rural e dos arredores das cidades ou, então, aumentar o número de páginas, tornando-se num instrumento de divulgação de conhecimentos quer para um público geral, mais burguês e citadino, quer junto de algumas camadas sociais diferenciadas por ideários políticos, religiosos ou por outros interesses muito específicos.
Existem Almanaques cujo objectivo é ainda próximo do primitivo: “Almanaque Agrícola”, “Almanaque do Agricultor, Veterinário e Medicina Doméstica”, “Almanaque de Bento Serrano”. Outros porém com uma visão mais moderna: “Almanaque de Grande Armazém de Roupas Brancas de José Marão”, “Almanaque Ilustrado do Jornal O Século”. Também os há dirigidos a determinadas actividades profissionais: “Almanaque do Jardineiro”, “Almanaque do Belo Sexo”, “Almanaque do Bombeiro Português” – ou de feição explicitamente recreativa – “Almanaque Can-Can”, “Almanaque das Travessuras de Cupido”, “Almanaque das Ratices da Tia Genoveva”, “Almanaque das Trapalhadas”, “Almanaque de Gargalhadas”, “Almanaque para Chorar... de Riso” ou o curiosíssimo “Almanaque Cabrion”. Alguns outros ostentam a colaboração de escritores: “Almanaque de Reporters”, “Almanaque do Burro do Senhor Alcaide” (com base na opereta de D. João da Câmara e Gervásio Lobato), “Almanaque do Fim do Século”, “Almanaque do Gato Preto”, “Almanaque do António Maria” (escrito por J. César Machado), etc. A feição religiosa também se faz anunciar nos próprios títulos: “Almanaque de Santo António”, “Almanaque de S. João”, “Almanaque de Seráfico e Milagroso S. Francisco”. As ciências ocultas também são contempladas: “Almanaque do Feiticeiro” ou “Almanaque dos Sonhos e Visões Nocturnas”. Não podiam faltar nesta lista os utilitários “Almanaque dos bons Fadinhos” ou “Almanaque dos Bons Pitéus”.

No século XIX algumas destas publicações mereceram a colaboração de intelectuais portugueses:
“Almanaque das Lembranças” (1851-1932)
“Almanaque Democrático” (1852-1855)
“Almanaque do Cultivador” em que colaboram António F. de Castilho e Dias Pegado
Em 1896 publica-se o primeiro “Almanach Encyclopedico” editado pela Livraria de António Maria Pereira com um extenso prefácio de Eça de Queiroz que define assim um “Almanach” :

«…é o livro disciplinar que coloca os marcos, traça as linhas dentro das quais circula, com precisão, toda a nossa vida social».

Três anos depois, em 1899, sai do prelo o “Almanach Bertrand”, que se tornaria muito popular, não só em terras lusas, como também no Brasil, sendo publicado até 1969 e que durante muitos anos contou com a colaboração de personalidades eminentes da cultura nacional.
Durante a primeira parte do século XX, os almanaques continuaram a merecer grande aceitação em Portugal principalmente os de pequena dimensão, os mais práticos, entre os quais temos de distinguir “O Velho Borda d’Água”, edição da Livraria Barateira, “O Verdadeiro Almanaque Borda d’Água”, edição da Editorial Minerva e “O Seringador”, hoje editado por Lello & Irmão, do Porto.
No arquipélago publica-se a “Folhinha da Terceira” entre 1830 e 1832. Em 1904 o “Almanaque Açores” que durará até 1956 e o “Almanaque do Camponez” fundado por Manuel Joaquim de Andrade em 1917 e que ainda hoje é publicado.

Alguns destes títulos têm ainda, em pleno século XXI, bastante aceitação e, pese embora a quantidade e a qualidade de informação posta à nossa disposição por outras vias no que diz respeito às previsões do tempo, por exemplo, os “almanaques” são ainda ferramentas indispensáveis para a organização e calendarização nomeadamente dos trabalhos agrícolas.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

PARA OS LIVROS NÃO SE PERDEREM


Um dia destes, ao folhear um livro escolar do “meu tempo”, não consegui evitar um sorriso ao ler, na primeira página e escrito à mão com caligrafia cuidada, o seguinte verso:
"Se este livro for perdido,
E por acaso for achado,
Para ser bem conhecido,
Leva o meu nome assinado"

Ocorreu-me então a referência que J. Leite de Vasconcelos fez a este costume publicada na Revista Lusitana, vol. VI, 1900-1901 a pag. 243, com o título:
“Para os livros não se perderem"
"É costume escrever à mão nos livros uns versos no teor dos seguintes, que encontrei em Lisboa numa miscellania do anno de 1804, e que aqui copio corrigindo a orthographia:

Se este livro for achado,
Quando venha a ser perdido,
Para ser bem conhecido,
Leva seu dono assignado;
E se acaso for emprestado,
Por algum conhecimento,
Dei-se-lhe bom tratamento,
Para que não venha a ser,
Livro do esquecimento.”

E concluía:

“Este costume, que nem é só nosso, nem é moderno, está porém hoje em decadência, e em regra limitado às crianças e ao povo.”

Esta sentença preconizada por Leite de Vasconcelos não teve, porém, aplicação imediata aqui nas "ilhas" pois que, decorridos cerca de sessenta anos, ainda era praticada.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

POR UMA QUESTÃO DE JUSTIÇA

Padre Fontes
Acabei de ler e assinar a seguinte petição online dirigida ao Senhor Presidente da República:


Os abaixo assinados, conhecedores das relevantes iniciativas e actividades que, ao longo de toda a sua vida, o Padre António Lourenço Fontes, de Vilar de Perdizes, levou a efeito em prol da defesa das tradições sociais e culturais de Trás-os-Montes, em geral, e dos usos e costumes de Barroso, em particular, atraindo meios académicos e mobilizando a imprensa nacional e internacional para dar visibilidade à sua região, contribuindo assim para a recuperação, preservação e desenvolvimento turístico e económico das comunidades locais, estão convictos de que seria justo e merecido que o Exmo. Senhor Presidente da República lhe atribuísse um dos graus das Ordens Honoríficas Portuguesas como forma do reconhecimento da Nação e do Estado para com quem “por obras valerosas se vai da lei da morte libertando”.

A iniciativa partiu de um grupo de amigos do sacerdote transmontano que, desde segunda-feira, já recolheu depoimentos de pessoas das mais diversas áreas, desde o meio académico, religioso ou político, até de admiradores do Padre Fontes provenientes da Galiza.
Como pessoalmente concordo com esta petição, publico-a aqui pretendendo dar o meu contributo para a sua divulgação.

Subscreva-a também e divulgue-a pelos seus contactos.

A "cultura popular" agradece!

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

À VOSSA SAÚDE...

(Postal dos CTT - anos 40 do séc. XX)

... e com votos de um Bom Ano, voltamos hoje a cantar os Reis à porta de alguns amigos, dando assim continuidade a uma tradição que (ainda) não se perdeu.



sábado, 5 de dezembro de 2009

UM NÓVEL CONFRADE

(foto retirada do Blog Bagos D'Uva)

Em sessão solene, que decorreu no salão nobre dos Paços do Concelho da Praia da Vitória, foram hoje entronizados membros da Confraria do Vinho Verdelho dos Biscoitos várias personalidades e instituições que, por seu mérito ou dedicação, mereceram por parte da Confraria essa distinção pública. Entre eles está o Grupo de Baile da Canção Regional Terceirense que vê assim, uma vez mais, reconhecido publica e institucionalmente o seu desempenho notável no campo da preservação da cultura popular.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

NOSSA SENHORA DOS MILAGRES DA SERRETA - A FESTA DA FÉ

Acabaram-se as férias. E logo na semana da Serreta, ainda a tempo de cumprir o sacramental sábado e de gozar o feriado (tolerância?) da segunda-feira.
A festa de Nossa Senhora dos Milagres da Serreta é, na ilha Terceira, um caso particular de fé, disfarçada por vezes em deleites profanos, cuja origem se esfuma na penumbra do tempo.

Do "Almanach Açores para 1904" respiguei o seguinte texto que nos dá conta da provável origem desta festividade e da sua evolução ao longo dos tempos:

“A risonha freguesia está situada no cabo ocidental da ilha, voltada a sudoeste, num terreno alto sobranceiro ao mar, tendo uma área de 12 quilómetros quadrados.
O seu nome tem origem na serra que lhe fica eminente pelo norte e da qual provem os nevoeiros ali tão frequentes.
Ao título do orago da freguesia – Nossa Senhora dos Milagres – estão ligadas recordações e tradições encantadoras.
Segundo a tradição, nos fins do século XVI, um piedoso sacerdote, vítima duma injusta perseguição, ali se foi estabelecer.
Eis a lenda piedosa e poética da devoção à Virgem dos Milagres:

Havia um velho padre, velho e bom santo homem que, para fugir do mundo e dos homens, tomou o seu bordão e foi por serras e montes à procura de um ermo onde pudesse orar. Foi-se embrenhando pelos matos, mais e mais até não ouvir outros ruídos que os do vento agitando as florestas e os do mar quebrando-se nos alcantilados rochedos.
O venerando sacerdote conseguiu o que tão ardentemente desejava, por entre penas, trabalhos e privações de toda a ordem. Chegou à Serreta exausto de forças, mas vigoroso de fé e de confiança. Era bem aquele lugar o que Nossa Senhora lhe havia indicado numa visão encantadora e doce, visão que lhe enchia a alma inteira, que o alentava, que o fortalecia. De suas próprias mãos, ali onde era mais áspera e selvagem a terra, erigiu uma modesta e pequenina capela, onde colocou a imagem da Virgem, que sempre o acompanhou. Foi ali que orou, prostrado ante a mãe de Deus durante o resto dos seus dias, "descuidoso" das glórias vãs do mundo, longe do bulício das povoações, na paz da consciência, no silêncio do ermo!
Anos depois da morte do piedoso sacerdote que construíra a primitiva e singela capela, onde acorria todos os anos muito povo em romagem, teve de transferir-se a imagem para a paroquial das Doze Ribeiras, porque os romeiros, pelo abandono em que estava a capela, praticavam ali actos pouco edificantes.
Em 1762, ao saber-se por comunicação do Conde de Oeiras, que as tropas espanholas tinham entrado em Portugal, várias pessoas importantes da ilha e oficiais da guarnição, no intuito de pôr a Terceira em estado de repelir um ataque, percorreram o litoral escolhendo os locais para construir fortificações. Chegando às Doze Ribeiras, invocaram auxílio de N.ª S.ª dos Milagres, obrigando-se a fazer-lhe festas solenes se a ilha não fosse atacada. Assim sucedeu. A paz foi assinada. Dois anos depois os peticionários que se ficaram chamando "Escravos da Senhora" lavraram um termo firmando aquele voto, com a data de 11 de Setembro de 1764. O voto cumpriu-se solenemente, com a maior grandeza e piedade.
Dez anos mais tarde, em 13 de Setembro de 1772, na freguesia das Doze Ribeiras, lavrou-se um acordam pelo qual os "Escravos" convieram na reedificação da ermida da Serreta, obtendo desde logo na ilha grandes donativos para a obra.
Não obstante tão excelentes propósitos, 25 anos depois, em 1797, ainda não estava reedificada a capela. Como por essa ocasião ameaçasse o reino o perigo da ocupação francesa, foi revalidado o voto com referência à festa, obrigando-se todos a cumprir o propósito da reedificação da pequena igreja. Este novo voto tinha data de 26 de Julho de 1797.
Passado, porém, o perigo os votos foram esquecidos. Em 1818 o general Francisco António de Araújo obedecendo ao plano geral de levantar as capelas mores das igrejas que ao povo competia acabar, nos lugares em que o desenvolvimento da população o exigisse, e sabendo dos votos feitos em 1762 e 1797, promoveu a construção duma igreja na Serreta, por meio de donativos de alguns devotos e do Estado, chegando a obter o levantamento das paredes. As perturbações políticas da época obstaram conclusão da obra.
Em 1842, o conselheiro José Silvestre Ribeiro, governador civil do distrito, conseguiu levar a efeito a construção da igreja coadjuvado pelos senhores Visconde de Bruges e brigadeiro Vital de Bettencourt Vasconcelos de Lemos, que por escritura de 30 de Agosto de 1842 fez doação de 4&000 reis anuais para património da nova igreja, e outros cavalheiros angrenses. A 10 de Setembro do mesmo ano realizava-se a trasladação da imagem de N.ª S.ª dos Milagres para a sua nova capela, sendo criado ali um "curato", até que por decreto de 16 de Outubro de 1861 e provisão do bispo D. Frei Estevam, de 24 de Dezembro do mesmo ano, foi criada a paróquia e freguesia denominada de Nossa Senhora dos Milagres, que principiou a funcionar em 1 de Janeiro de 1862.
Quando em 2 de Julho de 1847 o sempre lembrado sacerdote padre Francisco Rogério da Costa, tomou conta do "curato", encontrou a pequena ermida absolutamente carecida de tudo. Apenas existia a imagem de N.ª S.ª dos Milagres acomodada num nicho e alguns pobres paramentos.
Cinco anos depois, teve de abandonar o lugar, deixando feita a capela-mor, um camarim para o S. Sacramento, dois altares laterais onde se dizia missa e ornamentos suficientes para o culto. Junto à ermida tinha sido construído um belo passal.
Todos estes melhoramentos consegui-os o zelo fervoroso do padre Rogério, auxiliado largamente pelas esmolas de muitos cavalheiros de Angra e em geral, do povo de toda a ilha.
Durante muitos anos as festas eram feitas pelas principais famílias de Angra. Hoje, porém, são custeadas pelas esmolas dos fiéis.
As acanhadas dimensões da igreja e o aumento progressivo da população, reclamavam desde muito tempo a edificação de um novo templo.
Coube ao vigário reverendíssimo Francisco Lourenço do Rego, sacerdote de alto espírito, de extremada prudência e de inquebrantável tenacidade, levar a vias de realização o empreendimento.
Em 29 de Abril de 1895 procedia-se à cerimónia da bênção da primeira pedra da nova igreja.
As obras iniciaram-se logo e, sete anos passados, estão quase concluídas as paredes da nova e elegante igreja, que ficará sendo um dos mais formosos templos da ilha.

As festas anuais que ali se celebram são imponentíssimas. Por essa ocasião, um dos aspectos que fica perdurável no espírito do “turiste” é, sem dúvida, o Pico da Serreta, no dia da corrida de touros, onde por entre o verde escuro do mato que o reveste, se destacam as variegadas cores claras e vivas, dos trajos de milhares de pessoas de todos os pontos da ilha que dali vão gozar alegremente a popular diversão tão querida do povo terceirense e complemento fatal de todas as festas quer profanas quer religiosas.

Dr. Ferreira-Deusdado”

segunda-feira, 20 de julho de 2009

A NOITE EM QUE A LUA PERDEU O ENCANTO

Estava no CISMI em Tavira a cumprir serviço militar, ao tempo, obrigatório. Poucos dias depois de ter terminado a especialidade de “atirador” do curso de “Cabos Milicianos” e, por isso, já autorizado a frequentar a “sala da classe”. Foi nessa sala, em directo, pela televisão, que pude testemunhar, ainda que incrédulo, os primeiros passos do homem na Lua.
O cansaço provocado pelas longas horas de vigília e a quantidade de cerveja ingerida não eram propícios à clarividência exigida a uma testemunha credível. E, reconheço hoje, com irreparável prejuízo para a minha memória que, pese embora os quarenta anos de distância, não consegue filtrar o essencial do acessório de forma a que me traga, com exactidão, a imagem do facto histórico e dos acontecimentos relevantes que o envolveram.
Mas não consigo esquecer que foi nessa noite quente do Julho algarvio que a lua perdeu, para mim, todo o seu encanto. Aquela veste de donzela imaculada que sempre a envolvera rompia-se ali, à vista de toda a gente, sem nenhuma reserva de pudor. A sua virgindade acabava de ser sacrilegamente conspurcada pelo pé de Neil Armstrong.
O meu avô, como era costume, acordou cedo no dia seguinte. Olhou para o crescente da lua e disse para os seus botões: a mim não me enganam! Só vou acreditar que lá chegaram quando encontrarem o tal homem com o molhe de couves às costas.
Desde então nunca mais voltamos a falar sobre a lua.

terça-feira, 30 de junho de 2009

JULHO E SEUS SANTOS ADVOGADOS

De uma lista coligida por Thomás Pires e publicada noVol. IV da Revista Lusitana:

Dia 5 - O Bemaventurado Miguel dos Santos - advogado contra os cancros e tumores.

22 - S. Platão - advogado e libertadoe dos captivos.

23 - S. Apollinario - advogado contra as quebraduras;
S. Libório - advogado contra a dor da pedra.

25 - S. Christovão - advogado contra o fastio;
S. Tiago - advogado contra os perigos da guerra.

28 - S. Anna - advogada contra a esterilidade dos casados.

29 - S. Martha - advogada contra a lagarta e pulgão das vinhas.

31 - S. Ignácio de Loyola - advogado contra os partos perigosos.

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quarta-feira, 20 de maio de 2009

OS TERÇOS


Nestas semanas que antecedem os “Bodos” temos andado por aí a “cantar o terço” ao Divino Espírito Santo. Esquecida durante muito tempo, esta tradição foi reavivada e reintroduzida no cerimonial das Festas ao Divino, aqui na ilha Terceira, pelo Grupo de Baile da Canção Regional Terceirense.
Esta tradição, a que já nos referimos em outro texto publicado a 11de Março de 2008, terá como provável responsável da sua introdução nos Açores o Padre António Vieira.
“Cantar o terço”não é uma tradição exclusiva dos Açores e, muito menos, da devoção ao “Divino”.
Na “Memória Histórica da Villa de Barcelos”, de Domingos José Pereira, Viana 1867, p.36, lê-se:
“Antigamente, e ainda há trinta anos, os vizinhos da Porta-Nova, e principalmente os mercadores por ali estabelecidos, todas as noites cantavam devotamente o terço, em culto público àquela imagem de Nossa Senhora da Abadia”.
Leite de Vasconcelos, nas suas inúmeras viagens pelo país, ouviu em Mondim, na Beira Alta, “cantar o terço” e dele faz a seguinte descrição:
“Para cantarem o terço, formam-se de noite, em certos sítios centrais, vários magotes de mulheres, nos quais às vezes também entram homens; um magote canta em coro o Padre-Nosso até ao meio, e o outro magote canta em resposta o resto; depois fazem o mesmo para a Ave-Maria: e assim se tem o terço inteiro. Isto dura toda a Quaresma”.
O “terço”, qualquer que seja a circunstância em que é rezado ou cantado, é um conjunto de cinco “mistérios” sendo que cada um consta de um “Padre-Nosso” e dez “Ave- Marias”. A forma de o cantar varia consoante a localidade, a motivação e a Ilha.
Seria um trabalho interessante proceder-se à recolha de todas as variantes conhecidas.
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domingo, 3 de maio de 2009

DIA INTERNACIONAL DO SOL


A moda d' O Sol (ou "Lundum") é uma das mais belas do rico cancioneiro popular da Ilha Terceira.
Com ela, através das suas quadras, associamo-nos ao Programa das Nações Unidas para o Ambiente, que hoje comemora o "Dia do Sol".




O sol apareceu brilhando
Par fazer inveja à lua
Mas ao brilho dos teus olhos
A vitória foi só tua

O sol perguntou à lua
Se o queria namorar
Por não saber que o meu bem
Mais que ninguém sabe amar

Numa versão imortalizada pelo José da Lata mas também cantada por Adriano Correia de Oliveira e Zeca Afonso.

O sol "preguntou " à lua
Quando havia amanhecer
À vista dos olhos teus
Que vem o sol cá fazer?

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quinta-feira, 30 de abril de 2009

OBAMA NA TERCEIRA


O presidente dos Estados Unidos Barack Obama escolheu os Açores, e em particular a ilha Terceira, para comemorar o 1º de Maio. Fez-se acompanhar do seu inseparável Bo, o cão de água português inquilino da Casa Branca.

Perante a tranquilidade que encontrou nas ilhas o presidente dispensou todos os seus seguranças que aproveitaram para descansar à sombra de uma árvore (ao fundo na foto).

A tradição mantem-se na Escola Básica Integrada de Angra do Heroísmo.

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segunda-feira, 20 de abril de 2009

O INVENTOR DO TEAR


Estando Satanás às voltas em como ocupar o tempo, pôs-se a inventar. Foi engendrando várias peças que, juntas, formaram uma máquina esquisita que baptizou de "tear". Dispôs-se então belzebu a tecer o primeiro pano mas, todas as vezes que tentava passar a “lançadeira” por entre a “urdidura”, a “canela” saltava-lhe fora. Impaciente como é, e perante o insucesso da sua invenção, o mafarrico pô-la de parte e nunca mais pensou nela.
Um dia S. José, que era carpinteiro, foi chamado a uma casa para exercer a sua arte e deparou-se com uma armação estranha, que nunca antes tinha visto. Curioso, perguntou para que servia. Responderam-lhe qual a sua finalidade mas que não era possível executá-la porque…e lá explicaram a deficiência a S. José. Pôs-se então o Patrono dos carpinteiros a cismar. Desmontou todas as peças da “máquina”. Estudou-as uma a uma e, algum tempo depois encontrou a solução para o problema: a “broca” – uma pequena peça que, introduzida nos dois extremos da cavidade da “lançadeira”, impedia e saída da “canela”.
Ofereceu então S. José o tear a Nossa Senhora que, a partir de então, passou a utilizá-lo para tecer todos os panos que haviam de vestir Nosso Senhor.

Assim reza a lenda!
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terça-feira, 7 de abril de 2009

REQUIEM POR UMA TORRE OU O ILHÉU, AS MOSCAS E O HOMEM DAS PENEIRAS

A casa do meu avô, virada a oeste, tinha uma vista privilegiada para o “ilhéu grande” a que outros chamam “das cabras”. Era para lá que meu avô dirigia o olhar quando, logo aos primeiros alvores da manhã, dava inicio à sua rotina diária invariavelmente preenchida com actividade agrícola. Desse olhar dependia a organização dos afazeres: se as “grotas” do ilhéu “luzissem” era previsível que, mais hora menos hora, chovesse. Esta previsão podia ser corroborada pela minha avó que, já de véspera, havia notado que as moscas andavam “pegajosas” ou que o lume não queria pegar.
Não vou garantir, porque não me lembro, se estas previsões eram mesmo infalíveis. Agora o que posso afiançar é que se a tudo isto se juntasse o pregão “meeerca as peneeeiras” aí já não restavam dúvidas: era chuva de os cães beberem em pé.
Nunca cheguei a saber que pacto é que o “homem das peneiras” tinha com S. Pedro. Como também não sei se só funcionava quando vinha da Agualva ao Porto Judeu vender aquilo que ele próprio fabricava.
O “homem das peneiras” morreu, julgo eu, sem deixar quem o substituísse neste serviço de utilidade pública, as moscas foram dizimadas pelo DDT dos americanos e o petróleo, primeiro, depois o gás, vieram apagar as últimas brasas do fogão da minha avó. Só resta o “ilhéu” como memória desta sabedoria que a ciência não consegue explicar.
Até ao dia em que alguém o mande derrubar.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

O ABALO


Desta feita foi em Abril. No primeiro dia, passavam 5 minutos das 6. Um forte safanão fez-me saltar da cama com a sensação de ter levado um valente choque eléctrico. Ainda pensei ser uma peta. Mas não. Era mesmo um abalo de terra, daqueles que nos fazem sismar.
Impotente perante as forças da natureza e, tal como me tinham ensinado, pus as mãos, fechei os olhos e recitei em voz baixa:

Oh! São Francisco de Borja
Pelo vosso condão
Peça a Jesus
Que não trema o chão.
O chão não trema
Nem há-de tremer
A Virgem Maria
Nos há-de valer.
Oh! Virgem tão boa
Oh! Virgem tão bela
Livrai-nos do fogo
E dos abalos da terra.

E fiquei à espera das réplicas.
Nem uma!


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sábado, 4 de abril de 2009

A TEIA E A ARANHA


Quando S. José, Nossa Senhora e o Menino Jesus fugiam para o Egipto, e na eminência da sua captura pelos soldados de Herodes, encontraram refúgio numa gruta. Uma aranha teceu uma teia na entrada, dissimulando-a, impedindo assim que os perseguidores cumprissem as ordens do tirano. Nossa Senhora abençoou então a aranha e a sua teia.
A partir de então:
Matar ou desmanchar uma teia de aranha pode trazer azar para quem o faz.
Uma teia de aranha é sinal de felicidade e de fortuna. É também uma excelente armadilha para exterminar moscas, mosquitos e outros insectos nocivos.
A teia de aranha também tem efeitos curativos e anti-hemorrágicos. Por exemplo: posta sobre a ferida de uma “topada” faz estancar o sangue e acelera a cicatrização.

Depois veio a ASAE e mandou matar todas as aranhas.

Agora percebo porque não consigo acertar no euro milhões; a felicidade anda pelas ruas da amargura; a fortuna foi engolida pela crise e o número de insectos aumentou exponencialmente. Quanto à topada, resta-nos o consolo de que, não havendo teias de aranha, podemos sempre optar por ir engrossar as filas de espera de qualquer serviço de urgência hospitalar.




O "AGREIRO"


Pode acontecer a qualquer um: entrar um “agreiro” num olho.

Para uns é incómodo e prejudica a visão. Para outros até serve de desculpa para não verem aquilo que é evidente.

Para ambos, aqui vai a receita: pega-se na pálpebra como quem belisca e, puxando e relaxando alternada e levemente ao ritmo silábico, diz-se: passa, passa cavaleiro lá para as bandas do outeiro, vai dizer a Nossa Senhora, que te tire este “agreiro”.
Remédio santo.
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segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

ASSIM COMEÇA UMA TRADIÇÃO



Foi no ano de 1999 que um grupo de idosos do “Centro de Dia da Casa do Povo do Porto Judeu”, juntamente com as suas animadoras e voluntárias, resolveram organizar um “bailhinho de carnaval”. Pretendiam, para além do seu próprio prazer, levar a outros “Centros de Dia” de outras freguesias um cheirinho e a alegria próprias da época carnavalesca.
O que parecia ser um evento efémero e pontual é já hoje, passados que são dez anos, uma tradição que está de pedra e cal. Seguindo o exemplo dos idosos do Porto Judeu, muitos outros “Centros de Dia” começaram a organizar os seus próprios “bailhinhos” com os quais percorrem, nos quatro fins-de-semana que antecedem o carnaval, todas as freguesia da Ilha Terceira. E já não se exibem apenas nos reduzidos espaços dos “centros”.

É-lhes “exigido” agora a apresentação nos palcos dos salões das Sociedades Recreativas que se enchem de espectadores de todas as idades, numa antecipação ao clímax carnavalesco que se aproxima.

Assim começa uma tradição!

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

VERSOS DE BOAS FESTAS - 7

BOAS FESTAS
Dos empregados de uma sapataria que, em vez de pedirem, organizaram uma rifa cuja receita reverte para a consoada.

Bilhete de uma dessas rifas:

Nº…… Preço $25 centavos

Sorteio de um elegante par de sapatos
de verniz para senhora

Esta vai por vós, senhores
Boas-Festas vimos dar,
Para a noite de Natal
Alguma coisa arranjar

Os rapazes da Sapataria da Moda

Fonte: Rev. Lusitana

VERSOS DE BOAS FESTAS - 6

BOAS FESTAS
De uma casa comercial (que “saúda a todos” – sem pedir a consoada, é claro)


SAUDAÇÃO

A Casa dos Gonçalves deseja
Aos Ex.mos Fregueses seus
Boas-Festas e que o ano lhes seja
Portador das venturas dos céus

Cá na terra só uma tereis:
-Comprar muito por pouco dinheiro,
E em novecentos e dezasseis
Só o Gonçalves será barateiro

Saud’á todos com preito egual,
Nas venturas d’um ridente provir;
De norte a sul de Portugal
Que os meus votos se façam sentir.

E do passado sentido me ufano
Saúdo a todos no primeiro do ano.

Cabanas, 1-1-1916 Casa dos Gonçalves


Fonte: Rev. Lusitana

VERSOS DE BOAS FESTAS - 5

BOAS FESTAS
De um carteiro que logrou quem lhe fizesse poesia mais complicada:


Não há verbo mais perfeito
Mais fácil de conjugar
Entre os verbos portugueses
Que o lindo verbo dar

Tem três letras, meu senhor,
A primeira diz que “dê”,
Com a segunda quem lê
Diz que “dá” seja o que for.
O “erre” não tem valor
Mas aqui não é defeito,
Até dá um certo jeito
Para entalar a vogal;
Hão-de convir, afinal,
“Não há verbo mais perfeito”

Eu bem sei que receber,
Apesar do comprimento,
Se conjuga num momento
Com muitíssimo prazer.
E se não vamos a ver:
Conjuguem dar os fregueses,
Quatro, cinco, vinte vezes,
Que eu conjugo o mais comprido
Porque ao outro está unido
Entre os verbos portugueses

Dá-se ao pé na contradança,
Dá-se de olho às raparigas,
Ao demónio dão-se figas,
A quem ama dá-se esp’rança.
Dá-se papinha à criança,
Dá-se a consoada ao carteiro,
Dá-se ao fole na falta de ar,
Dão-se agora as boas-festas,
Eis o verbo em coisas destas
Mais fácil de conjugar.

O carteiro Malheiro


Fonte: Rev. Lusitana