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segunda-feira, 31 de maio de 2010

A MULHER E A MODA

A moda destrói a beleza e destrói o espírito. Um cai­xeiro desenha a lápis, em Paris, um certo chapéu um certo corpete, umas certas mangas — e todas, magras e gordas, as louras e as triguei­ras, as altas e as pequeninas, se introduzem, se alojam, se enfiam naquele molde, sem se preocuparem se o seu corpo, a sua cor, o seu per­fil, a sua altura, o seu peito, condizem, harmoniza, vão bem com o molde decretado e chegado pelo correio. Abandonando-se servilmente ao figurino, abdicam a sua ori­ginalidade, o seu gosto. Acei­tam uma banalidade em seda — e um lugar comum com folhos. Uma senhora que não inventa e não cria os seus vestidos — é como um escri­tor que não acha e não in­venta as suas ideias. Ter a toilette do figurino é fazer como os merceeiros que têm a opinião da sua gazeta. Desabitua o espírito da inven­ção, da espontaneidade, da liberdade. É uma confissão tácita de que não tem espírito, nem fantasia. Seguir um figurino é aprender a ele­gância de cor, para ir recitar na rua; é o ter o gosto que se recebeu de encomenda; é alugar o chic ao mês; é mandar vir as ideias pelo correio; é o bom-tom por as­sinatura.
Que falta de espírito! e os maridos pagam-no.

Eça de Queiroz

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

COSTUMES



Isto de costumes tem muito que se lhe diga. Num periódico local de 1895 (A União) ainda se assinalava uma antiga costumeira nas celebrações matrimoniais ocorridas na freguesia dos Biscoitos, freguesia que se prezava não só nos verdelhos como também nos vinhateiros, pois foi essencialmente e ainda é dos lugares mais apreciados de vinho verdelho que adquiriu justa fama.
Conta-se então que por volta de 1860 «ninguém se casava de entre os principais do lugar que não fosse de sobrecasaca de pano fino azul e chapéu alto; mas um fato assim era caro e não havia meios para o obter: tudo se remediava, porém, pedindo-se emprestada a sobrecasaca e o chapéu alto de uso de certo indivíduo da freguesia, que de boa vontade emprestava esses aprestos dos noivos. De sorte que raro era o noivo em que não servisse aquela sobrecasaca e aquele chapéu. Era engraçado, caricato mesmo, mas não ofendia». Para tal traje masculino só não encontrámos ainda notícia de como seria o da noiva, naturalmente mais castiço e gracioso, mas, duvida-se, que emprestado!...

V.M
(Boletim do Instituto Histórico da Ilha Terceira 2004)