...toda!... sem elitismos nem adjectivos.

Viva a Música!
“A identidade, sendo diferença, não implica oposição e, por isso, nada tem de necessariamente anti-universal” (Almeida, Onésimo Teotónio)
José Orlando Bretão (Angra do Heroísmo, 14 de Abril de 1939 — Angra do Heroísmo, 24 de Outubro de 1998) foi um distinto advogado do movimento sindical e acérrimo defensor da democracia durante a vigência do Estado Novo.
Como estudioso do folclore açoriano, em especial das danças de Carnaval e das festividades do Espírito Santo, José Bretão deixou-nos imensa e preciosa informação recolhida junto do povo simples do "campo", como por exemplo este depoimento registado em 1996 de Gregório Machado Barcelos, lavrador octagenário, quando questionado sobre os "dons do Espírito Santo"(1):
(1)Hélder da Fonseca Mendes, Festas do Espírito Santo nos Açores - Proposta para uma leitura teológico-pastoral. Angra do Heroísmo, 2001: 90-91
Babrius foi um poeta romano que viveu entre os séculos II e III d. C ,e que tinha a particularidade de escrever fábulas em grego.
É-lhe atribuído o seguinte pensamento que vai direitinho e por inteiro para “Bagos D' Uva”, um dos “blog’s” de visita diária obrigatória:
"O grau de civilização de um povo é sempre proporcional à qualidade e à quantidade dos vinhos que consome."
Quem sabe, sabe! À vossa!
Houve e há, apesar das desordens que a civilização traz, pequenos povos encantadores que aprendem música tão naturalmente como se aprende a respirar. O seu conservatório é o ritmo eterno do mar, o vento nas folhas e mil pequenos ruídos que escutaram com atenção, sem jamais terem lido despóticos tratados.
Claude Débussy (n. Saint Germain-en-Laye 1862; m. Paris 1918)
A grande festa do folclore está de volta aos Açores. Desta feita com o carimbo oficial do CIOF. O cartaz promete: 8 grupos internacionais representantes da República Checa, Colômbia, França, Hungria, Itália, Polónia, Sérvia e Espanha; 4 nacionais: Grupo Típico de Ançã, Rancho Folclórico da Casa do Povo de Arcena, Rancho de Folclore e Etnografia "Os Ceifeiros da Bemposta" e, em representação da Região Autónoma, o Grupo Folclórico e Etnográfico "Ilha Morena" da Ilha do Pico.
A realização de um festival com esta envergadura numa região isolada no meio do Atlântico só é possível com muito trabalho da entidade organizadora - o COFIT que este ano comemora as bodas de prata -, dos seus colaboradores e, não menos importante, com o apoio indispensável de organismos oficiais e privados.
Faço votos para que, mais uma vez, o Festival seja um êxito e volte a ser considerado, por isso, de "O Melhor Festival de Folclore de Portugal".
...ao Grupo de Baile da Canção Regional Terceirense, que prefaz hoje 42 anos após a sua primeira apresentação pública, e a todos os que com ele colaboraram ao longo da sua existência. Dos que ainda estão entre nós e, sobretudo, daqueles que já partiram para a grande viagem, de todos guardo em lugar de honra um terno sentimento de saudade. Mas recordo, sobretudo, a alegria que nos invadiu naquele memorável serão da celebração do 89º aniversário da nossa querida "RECREIO DOS ARTISTAS". Ainda sinto o arrepio dos "viva" e dos "bravo" e dos prolongados aplausos que, durante vários minutos, ecoaram pela esplanada completamente lotada da "Recreio".
...à Sociedade Recreio dos Artistas que comemora também hoje o seu 131º aniversário. Meritória Instituição Angrense a quem todos os terceirenses muito devem e que ao longo dos tempos nos tem honrado com as suas iniciativas. Por ela o Grupo de Baile da Canção Regional Terceirense nutre um saudável sentimento filial.
O D.O.P. – Departamento de Oceanografia e Pescas do Pólo da Horta da Universidade dos Açores acaba de ser classificado pela insuspeita e respeitável revista científica Research como uma instituição de EXCELÊNCIA a par de outras congéneres mundiais. Esta distinção premeia o trabalho ali desenvolvido no estudo dos oceanos e no contributo dado à defesa da sua biodiversidade.
É para o D.O.P. e sobretudo para os seus investigadores que coloco a minha bandeira à janela!
Sandália pré-histórica da América do Norte feita em esparto
O que inicialmente era apenas um objecto utilitário de protecção dos pés evoluiu a par do desenvolvimento da humanidade. No Egipto e na antiga Roma o calçado era já indicativo da classe social.
Apesar da diversidade geográfica os modelos deste rudimento de sapato são muito semelhantes. A utilização do couro, mais resistente, generaliza-se e vem substituir os outros materiais.
Sandália de couro judia de 72 d.C.
Alpercata terceirense
No meio do Atlântico, na Ilha Terceira, tal como nas restantes que formam o arquipélago dos Açores, esta forma de calçado perdurou até aos nossos dias. E tal como aconteceu em toda a sua evolução, manteve-se praticamente inalterável na forma, apenas sofrendo alterações nas materias utilizados. As últimas que vimos eram feitas com borracha de pneus velhos.

Os "carros de toldo" são um ex-libris dos bodos na ilha Terceira. Hoje com maior visibilidade nas freguesias do "ramo grande"mas noutros tempos comuns a toda a Ilha.
Até meados do séc. passado ir a uma "festa" era uma verdadeira festa. As famílias reuniam-se em grupo com os parentes mais chegados ou com os amigos e "botavam-se" ao caminho quase sempre ainda antes do sol nado. Chegar cedo era sinal de se "arranjar" os melhores lugares.
Os homens seguiam a pé ou a cavalo, se fosse caso de ter algum "a modes". As mulheres e as raparigas tinham o previlégio de tomarem assento nas carroças de besta, mais ligeiras e cómodas, ou então nos "vagarozos", mas mais aconchegados, carros-de-bois preparados e apetrechados para o efeito com suas "sebes de toldo" cobertas por vistosas colchas para protecção do sol.
Ao longo de todo o percurso eram frequentes as paragens para descanso e "beberagem" das "alimárias", aproveitadas para desentorpecimento das pernas das mulheres, dormentes de tanto tempo cruzadas. Cantava-se, bailhava-se e petiscava-se.
Chegados ao arraial os carros eram estacionados lado a lado, de forma organizada. Os bois, depois de "descangados", eram levados a logradouro próximo, farto de água e sombra. As "cangas" e as "aguilhadas", ricamente ornamentadas com metal amarelo, eram colocadas ao alto junto aos carros. As coberturas poeirentas e desbotadas dos "toldos" eram substituídos por "escoimadas" colchas brancas. Os farnéis eram abertos e dispostos no seu interior sobre alva toalha de linho. Toda a gente era convidada a partilhar da abundância.
Ano após ano cresce o número de "carros de toldo" colocados nos terreiros. E são também cada vez maiores os cuidados dispensados na sua preparação.

Uma verdadeira mostra do relicário que são as rendas e bordados feitos pelas mãos das mulheres da Terceira.
Afinal a tradição ainda é o que era. Depois de ter publicado "O MAL MENOR" fiquei agradavelmente surpeendido pelo que vi: a distribuição do "bodo" do Domingo da Trindade do Império de S. Luís estava a ser feita em "carros-de-bois". Embora sem a exuberância de outros tempos os carros apresentavam-se dignos do propósito. Em louvor do Divino Espírito Santo.
Longe vai o tempo em que os "carros-de-bois" eram utilizados para a distribuição do pão e do vinho dos "bodos". A passada "pachorrenta" dos bois, a policromia dos arranjos de papel e das bandeiras, o cheiro intenso da "faia da terra" e o chiar caracteristíco produzido pelo atrito do eixo nas "cantadeiras" apenas perduram na recordação dos mais idosos. Para os mais novos, para que tenham uma ideia de como era, ficam as miniaturas. Do mal o menos.
Com reminiscências pagãs cuja origem se perde no tempo, a tradição dos “Maios” entre nós (das “Maias” noutras regiões) ainda revela substantiva vitalidade, como se comprova pela foto que recolhi na freguesia de Vila Nova na ilha Terceira no 1º dia deste mês.
A única forma de perpectuar uma tradição é executá-la sempre com o mesmo espírito e dentro do mesmo contexto. No caso dos "maios" este é um elequente exemplo.