sexta-feira, 20 de março de 2009

OSTARA


Neste “sabbat”do calendário celta (correspondente ao equinócio da primavera) o Sol aumenta em poder e a terra começa a florescer. Agora noite e dia são iguais: os poderes da fase de armazenamento do ano são iguais aos da escuridão do inverno e da morte. Enquanto uns preferem seguir o Deus Cornífero que, no seu chamamento para a caça, indica o caminho com dança e celebração, outros optam por dedicar esta época do ano a Eostre, a Deusa anglo-saxã da fertilidade.
Ver neste blog o post "CANDELÁRIA, CANDLEMAS, OILMEC OU IMBOLC"

quinta-feira, 19 de março de 2009

1º VISCONDE DA PRAIA

Neste dia no ano de 1872 morre Duarte Borges da Câmara e Medeiros, 1º Visconde da Praia da Vitória.
Rico mercador de Ponta Delgada e financiador do partido liberal, Duarte Borges de Medeiros recebeu o título por decreto da rainha D. Maria II em 7 de Maio de 1845.
Este ilustre micaelense nascido a 7 de Setembro de 1799 na freguesia de S. José em Ponta Delgada, é fruto do casamento de António Pedro Borges da Câmara e Medeiros com Dª. Maria Francisca de Andrade e Albuquerque Bettencourt, detentores de diversos morgadios naquela cidade.
Casou no dia 2 de Junho de 1823 com D. Ana Teodora Borges de Canto e Medeiros, filha herdeira de António de Medeiros Dias de Sousa da Câmara, fidalgo da Casa Real e de sua mulher D. Clara Joaquina Isabel do Canto Medeiros da Costa e Albuquerque. Deste casamento saíram, de entre outros filhos, o 2.º visconde da Praia mais tarde agraciado com o título de 1.º conde da Praia e Monforte.

quarta-feira, 18 de março de 2009

CASA DA MOEDA NA ILHA TERCEIRA

Neste dia, no ano de 1829, estabelece-se no Castelo de S. João Baptista, em Angra do Heroísmo, a casa da moeda, por ordem da Junta Provisória em nome da Rainha D. Maria II.

domingo, 15 de março de 2009

HOJE É O "DIA DE PETER FRANCISCO"


Em 24 de Fevereiro de 1973 o Senado dos Estados Unidos da América aprovou uma resolução declarando o 15 de Março de cada ano como o dia de recordar um dos grandes heróis da Guerra da Independência Norte Americana: Peter Francisco.

Conhecido como o “Gigante da Virgínia”, P.F. teve uma acção muito importante nas grandes e decisivas batalhas da Guerra da Independência, a ponto de ter recebido do próprio General George Washington as seguintes considerações: “Sem ele nós teríamos perdido, certamente, duas batalhas cruciais. Talvez até a guerra e, com ela, a nossa liberdade. Ele era na verdade “um exército dum homem”.”


Na manhã de 23 de Junho de 1765 numa doca de James River em City Point na Virgínia, foi encontrado um rapaz que aparentava ter 5 anos de idade. Falava uma língua desconhecida e, embora sujas e deterioradas, as suas roupas pareciam ser da melhor qualidade, com belas rendas na gola e punhos, sapatos e cinto com fivelas de prata ostentando a sigla PF, o que fazia supor a sua origem de uma família abastada.
Entregue aos cuidados do juiz Anthony Winston de Buckingham County, Virgínia - que o criou e mais tarde o adoptou - rapidamente se fez notar o seu desenvolvimento físico invulgar. Aos 15 anos mediria cerca de 2 metros com o peso de 120 quilos.
Em Dezembro de 1776, já com 16 anos, satisfazendo a sua vontade, Winston deu-lhe permissão para se juntar às milícias que se organizam para lutar contra o exército imperialista britânico. É alistado no 10º Regimento da Virgínia sob o comando do Coronel Hugh Woodson e foi enviado para Middlebrook, NJ, para a sua formação básica. Sob o comando do general George Washington, Francisco recebeu seu baptismo de fogo na batalha de Brandywine na quinta-feira, 11 de Setembro de 1777, onde se distinguiu, tal como em muitas batalhas que se seguiram, pela sua força e coragem.
São muitas as incríveis aventuras protagonizadas por PF. Muitas delas estão narradas numa série de romances sobre este “Hércules da Revolução” e os “Gigantes da Virgínia”, editados a partir de 1800, especialmente para crianças com idade escolar, onde, para além do nosso herói, se recorda também Davy Crockett e Daniel Boone.
Um selo postal recorda uma dessas aventuras: “Em Camden, PF consegue resgatar um canhão com 495 quilos aos britânicos, transportando-o às costas por todo o campo de batalha”.

Em 1783 após a declaração de independência e do fim da revolução, Peter Francisco torna-se um próspero proprietário em Buckingham. Ao mesmo tempo aposta na sua própria formação. Apesar dos negócios, da idade e das feridas da guerra, Francisco concorre a um lugar numa escola privada em John McGraw onde foi aceite. Passados três anos já lia os clássicos e veio a tornar-se um ávido leitor tendo montado a sua própria biblioteca.
Mais tarde, ele e a sua 3ª esposa mudam-se para Richmond. Aí é nomeado “Sargento-em-Armas” da Casa de Delegados do estado de Virgínia, cargo que ocupa nos últimos seis anos de vida. A 18 de Janeiro de 1831 o jornal Richmond Enquirer publica a seguinte notícia: "Faleceu no domingo, nesta cidade, após um prolongado indisposição, Peter Francisco, o Sargento-em-Armas da Assembleia de Delegados e um soldado revolucionário, recordado pela sua intrépida coragem e brilhantes proezas. O Governador do Estado compareceu ao funeral sendo Peter Francisco enterrado com plenas honras militares e maçónicas no Cemitério Shockoe”.

A sua origem:

Depois de aprender algumas palavras em Inglês, Francisco tenta explicar à sua nova família o que ele guardava da sua origem: que se lembrava de que vivia numa grande casa à beira-mar. Vagamente se lembrava do pai, mas era viva a recordação de uma irmã e da sua bela mãe a quem ele muito amava.
Embora nunca tivesse sido capaz de se lembrar do nome de seu país natal, ele retinha algumas memórias do que provavelmente foram os últimos momentos de sua vida em casa: “estava brincando com sua irmã no jardim da casa de seus pais quando dois marinheiros os atraíram ao portão com bolos ou brinquedos. Aberto o portão, os homens pegaram as duas crianças. A garota conseguiu escapar, mas os raptores jogaram um cobertor sobre Francisco e levaram-no para um navio que os esperava.
Para além destas informações pouco precisas a sua origem continuaria envolta em mistério.
Após a sua morte o interesse pela origem de Peter Francisco foi-se esfumando com o tempo para, anos mais tarde, voltar a suscitar o interesse de investigadores e historiadores.
Robert McKee do Tennessee seguiu uma pista que o levava a suspeitar que a origem de F. P. fosse espanhola. Esta tese nunca conseguiu substantivas provas para a tornar minimamente credível.
Mais concludentes foram os resultados dos estudos realizados em 1960 por John E. Manahan da Universidade de Virgínia. Seguindo a opinião unânime dos descendentes de Peter Francisco, embora sem provas que a confirmassem, de que a origem do “gigante” seria portuguesa, Manahan passou sete meses pesquisando nas ilhas da Graciosa, São Jorge e Terceira nos Açores. Seus esforços foram recompensados na ilha Terceira, onde confirmou que, na freguesia costeira do Porto Judeu, havia sido registado um indivíduo do sexo masculino nascido no dia 9 de Julho de 1760 a quem baptizaram com o nome de Pedro Francisco, portanto cinco anos antes do aparecimento em City Point, agora Hopewell, Virgínia, do desconhecido PF. Para além desta, Manahan recolheu ainda informações sobre história familiar e o direito de posse de uma casa Pedro Francisco.

Na freguesia do Porto Judeu, onde passei o melhor da minha infância e juventude, ouvi aos mais velhos contarem esta história, com mais ou menos pormenores e, por isso, sempre identifiquei aquela que teria sido a casa da família de Pedro Francisco. Situada numa zona junto ao mar, conhecida ainda hoje como o Refugo, esta bela casa (já desaparecida) de dois pisos e de linhas sóbrias era murada por altas paredes, sendo a serventia da rua feita por um imponente portão. Quase em frente, um pouco mais abaixo, desembocava o Caminho Velho que ia dar ao porto de mar que deu o nome à freguesia.

Para além do seu nome ter sido dado a uma rua na sua terra natal, Pedro Francisco é hoje um herói desconhecido ou ignorado dos seus compatriotas.

Do outro lado do Atlântico a memória de PF está perpetuada através da celebração de um dia em sua honra, de um Museu com o seu nome e de vários monumentos.
A União Portuguesa Continental (UPC), criou em 1957 uma condecoração de ouro, prata e esmalte com o nome de Peter Francisco. Os candidatos para a prestigiada medalha são pessoas ou organizações que contribuam para a promoção das relações luso-americana e para a preservação do património e da cultura Portuguesa. A medalha é formada por uma cruz semelhante à cruz de Cristo, sobreposta por uma estrela de cinco pontas com o escudo das armas de Portugal, suspensa de duas mãos apertadas, símbolo universal de fraternidade, tendo sobre ela uma voluta contendo a divisa do Infante D. Henrique "Talent de bien faire" e um diploma próprio."
O primeiro agraciado com esta distinção foi, em 1959, o ainda senador John F. Kennedy.

sábado, 14 de março de 2009

PELO SIM, PELO NÃO...

“PELO SIM, PELO NÃO, LEVA O CHAPELÃO” ou “PELO SIM, PELO NÃO, LEVA O TEU GABÃO”

Diz-se para prevenir alguém que se acautele, para não ser iludido na sua boa fé.

As raparigas de certa aldeia eram todas bonitas, mas de reputação muito duvidosa. Por isso quando se efectuava algum casamento, o noivo levava na cabeça um enorme chapéu ( o chapelão) para ocultar os vestígios que o mau procedimento anterior da noiva pudesse produzir.
Na aldeia havia apenas uma rapariga tida por honesta e, como tal, respeitada por toda a gente.
Começou a cortejá-la um rapaz, a quem os outros todos olhavam com inveja, por ser o único da terra que não precisava de “chapelão”.
Chegado o grande dia, e estando os noivos já prontos para irem para a igreja, a noiva reparando que o rapaz, ao contrário do uso da terra, levava um chapéu muito pequeno, disse-lhe: “Pelo sim, pelo não, leva o chapelão”.

Outra variante deste aforismo terá por origem a seguinte história:

Um pároco, sabendo que na sua paróquia as mulheres “conspurcadoras” da honra de seus maridos se contavam às dezenas, disse à missa conventual que, por ordem superior, intimava os seus fregueses a quem as mulheres não fossem fiéis, a irem no domingo seguinte à missa, de capote, sob pena 10.000 réis de multa.
À noite, á lareira, José da Silva Ramos, disse à mulher:
-Já que temos vagar contemos os que irão de capa à missa, principiando na nossa rua: o José da Estima terá de levar capote, porque a mulher arreganha a taxa para o mestre-escola. O Manuel da Bernarda terá de levar capa, porque a mulher faz muitas festas ao boticário. O João da Henriqueta irá de capa, porque a mulher foi à feira e o estudante comprou-lhe lá um cordão. O Aniceto… (era o paroquiano que se seguia ao Ramos).
- E Ramos, observa a mulher.
- Então se erramos, diz o marido, contemos outra vez.
E começou de novo pelo José da Estima e, ao passar pela sua porta e dar o salto para a casa do Aniceto, diz outra vez a mulher:
-E Ramos.
Responde o marido:
-Tornemos a contar.
Três ou quatro vezes a mulher lhe disse – E Ramos – sem que o homem percebesse a alusão, até que ela lhe falou assim:
- Pelo sim, pelo não, leva o teu gabão, não queira o diabo que pagues alguma condenação.
No domingo seguinte lá foi José da Silva Ramos a caminho da igreja, diademado como o José da Estima, o Manuel da Bernarda, o João da Henriqueta e o Aniceto, e, como eles, levando nos ombros o seu capote.


Bohn, no seu livro “ A polyglot of foreign proverbs” cita esta forma espanhola, similar: Por si ó por no, senor marido, ponéos la capila – e explica que a mulher assim respondeu ao marido quando este lhe disse que uma lei nova determinava que todos os maridos “cucos” usassem capuz.
Pelo sim, pelo não, trago sempre o meu gabão.
Fonte: Revista Lusitana

sexta-feira, 13 de março de 2009

...LIVRAR O PAI DA FORCA



“Parece que vai livrar o pai da forca” diz-se de alguém que se apresenta muito açodado, que vai muito apressado.

A origem deste ditado terá certamente relacionado com um milagre de Santo António.
Estando o taumaturgo a pregar um sermão em Pádua, soube, por inspiração do Espírito Santo, que seu pai acabava de ser, injustamente, condenado à morte acusado de ter assassinado um homem. Durante algumas horas o Santo ficou imóvel no púlpito, inclinado sobre a balaustrada. Ao mesmo tempo, e quando seu pai era encaminhado para o cadafalso, o pregador milagreiro apareceu em Lisboa. Fazendo com que a vítima se erguesse da sepultura, esta proclamou aos juízes e algozes a inocência do acusado que, assim, foi restituído à liberdade.

J. S. F. de Lacerda Carvalho, num artigo publicado na “Enciclopédia das Famílias” intitulado “ Das tradições populares de Santo António nos Açores”, inclui as seguintes quadras que mencionam o milagre:

Santo António que livraste
Da forca o vosso pai:
De quem perdeu a vergonha
N’este mundo nos livrai.

Santo António é bom filho
Que livrou seu pai da morte;
Bem pudera Santo António
Livrar-me de uma má sorte.

Santo António é bom filho
Que livrou seu pai da morte;
Ó, que ditoso pai
Ter um filho de tal sorte.

Também o “Romanceiro do Arquipélago da Madeira” inclui, pela pena do Dr. Álvaro Rodrigues de Azevedo, uma lenda relacionada com este milagre.

Daí a comparação popular: “ É como Santo António: está em toda a parte.”

LADRAR À LUA



Diz-se de quem vocifera contra pessoas a quem não se pode fazer mal; fazer ameaças vãs.

Este ditado tem origem na crença do povo de que os cães ladram à lua. Existe uma lenda que fundamenta esta crença e que vem publicada no Almanaque de Lembranças de 1867: “A lua tinha, em tempos antigos, duas faces: uma celeste e outra infernal. Os cães sabem isso, e sabem também que a irmã de Apolo era a deusa do Erebo, que Diana caçadora era a Hécate de cabeça de cão e à qual se sacrificavam cães. Esta hecatombe antiga excitou, como é fácil de supor, as iras da canzoada. Transmitiu-se o ódio de pais a filhos, e hoje, que já estão extintos os sacrifícios, ainda nas horas mortas da noite os cães erguem a voz para injuriar a tríplice deusa, e vingar, por essa forma, a sua velha ofensa.

Em França diz-se que os cães ladram à lua porque o seu brilho lhes turva a vista. Também se crê que os lobos uivam à lua, e por isso se diz: Dieu garde la lune des loups.
Quando a lua é encoberta por uma nuvem diz-se que foram os lobos que a comeram, para poderem entregar-se aos ataques e aos roubos.

Tal como os cães, ladrar à lua parece ser a nossa sina!




domingo, 8 de março de 2009

EPIDEMIAS



Desde o povoamento até ao início do sec. XIX a Ilha Terceira foi “molestada” por várias epidemias:

Em Abril de 1599 apareceu pela primeira vez, na ilha Terceira, um epidemia que foi chamada de “peste oriental”. Diz a tradição que foi “importada” da Índia de onde terá vindo numa caixa de tecidos que foi aberta numa casa da Rua da Esperança, onde hoje se encontra o Teatro Angrense.
Conta-se que o primeiro individuo que aspirou o ar contido na referida caixa caiu fulminado pela doença e que esta rapidamente alastrou por toda a ilha com excepção da freguesia da Agualva e de um lugar a norte de Santa Luzia a que vieram a chamar, por esse motivo, de Posto Santo.
A casa de onde emanou a epidemia foi mandada destruir pelo fogo tendo levado três dias a arder durante os quais o povo lançava lenha para “entreter” o incêndio.
Esta epidemia só foi considerada erradicada em Novembro de 1600, tendo feito mais de 7000 vítimas mortais.
Em 1656 apareceram pela primeira vez as bexigas que afectavam e vitimavam principalmente as crianças.
Em 1741 surgiu um surto de febres na Vila de S. Sebastião sobre as quais o ilustre médico Dr. Alfredo Sampaio, no seu livro “Memorias sobre a Ilha Terceira”, suspeita terem sido febres tifóides.
Em Fevereiro de 1794 apareceu a escarlatina que durante dois anos faz imensas vítimas.
Em 1800 volta a aparecer a varíola.
Só em 1806 chega de Lisboa um cirurgião com o fim específico de aplicar, pela primeira vez, uma vacina.

sábado, 7 de março de 2009

O 9º ANO DO SÉCULO XXI

O ano 2009 da nossa era corresponde aos anos:

6722 do período juliano;
2762 da fundação de Roma;
4356 do dilúvio universal;
2009do calendário gregoriano;
5769 da era dos judeus;
913 da primeira cruzada;
559 da descoberta da América;
870 da fundação da monarquia portuguesa;
512 da descoberta da Índia;
509 da descoberta do Brasil;
254 do grande terramoto de Lisboa;
177 do desembarque do exército liberal nas praias do Mindelo;
176 da entrada em Lisboa do marechal Duque da Terceira à frente da divisão de seu comando;
180 do combate da Vila da Praia da Vitória, ilha Terceira, entre as forças constitucionais e miguelistas;
168 do terramoto que destruiu a Vila da Praia da Vitória.

sexta-feira, 6 de março de 2009

HOSPITAL MILITAR D'ANGRA

(Excerto de: "Angra do Heroísmo, os seus títulos, edifícios e estabelecimentos públicos" de Félix José Costa)


Agora, enquanto não se resolve um lamentável quanto inexplicável contencioso entre Lisboa e a Região sobre a sua legítima propriedade, este imóvel classificado, testemunha física de relevantes acontecimentos históricos, vai agonizando.

sábado, 28 de fevereiro de 2009

MARÇO E SEUS SANTOS PROTECTORES

De uma lista coligida por Thomás Pires e publicada na revista Lusitana - Vol. IV em 1896.


Dia 8 – S. João de Deus – advogado contra a lagarta;

10 – S. Job – advogado contra a lepra;

12 – S. Gregório – advogado contra as dores de estômago e de garganta;

19 – S. José – protector da Igreja e advogado para alcançar de Deus boa morte; patrono dos carpinteiros e dos pedreiros;

21 – S. Bento – advogado contra as mordeduras de insectos venenosos.


MAIS VALE TARDE DO QUE NUNCA

Uma gripe reincidente deixou-me de rastos e em casa nestes dias de Entrudo. Com o bichinho a morder lá fui acompanhando, através dos meios disponíveis – rádio e internet -, o que se passava ao redor da ilha. Vi e ouvi algumas danças, comédias e “bailhinhos”. Mais importante do que qualquer avaliação pessoal que se possa fazer sobre cada um dos trabalhos apresentados, o que é verdadeiramente relevante é a vitalidade que esta manifestação cultural de cariz popular revela.
Autores, músicos, actores, dançarinos, costureiras e ensaiadores (e os demais que mesmo sem título são imprescindíveis ao sucesso do projecto – pra cima de 2500 pessoas), despidos dos seus rótulos sociais deram, mais uma vez, uma eloquente lição de amor e de respeito a esta vertente do seu património cultural. O prazer individual de participar nestas manifestações só se completa quando repartido com todos aqueles que os aguardam nos salões e que, durante quatro longas noites, esperam ouvir aquilo que lhes apetece dizer mas não podem, rir sobre as suas próprias desgraças ou chorar sobre as suas amarguras.
É assim o Entrudo da Terceira: feito e partilhado com paixão.

Uma nota preocupante:

Em 26 de Fevereiro do ano passado editei um “post” com o título “Andam a Tramar a Tradição”. Aí apontava alguns sinais que, quanto a mim, eram indiciadores de que alguns perigos poderiam estar a minar, ainda que de forma indelével, esta manifestação cultural.
A ter em conta as declarações que ouvi, proferidas por responsáveis ou apenas participantes das “danças e bailinhos”, nas várias entrevistas que as rádios lhes fizeram e transmitiram este ano, os meus receios são já partilhados por outros. ´
É caso para dizer "Mais vale tarde do que nunca"

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

ASSIM COMEÇA UMA TRADIÇÃO



Foi no ano de 1999 que um grupo de idosos do “Centro de Dia da Casa do Povo do Porto Judeu”, juntamente com as suas animadoras e voluntárias, resolveram organizar um “bailhinho de carnaval”. Pretendiam, para além do seu próprio prazer, levar a outros “Centros de Dia” de outras freguesias um cheirinho e a alegria próprias da época carnavalesca.
O que parecia ser um evento efémero e pontual é já hoje, passados que são dez anos, uma tradição que está de pedra e cal. Seguindo o exemplo dos idosos do Porto Judeu, muitos outros “Centros de Dia” começaram a organizar os seus próprios “bailhinhos” com os quais percorrem, nos quatro fins-de-semana que antecedem o carnaval, todas as freguesia da Ilha Terceira. E já não se exibem apenas nos reduzidos espaços dos “centros”.

É-lhes “exigido” agora a apresentação nos palcos dos salões das Sociedades Recreativas que se enchem de espectadores de todas as idades, numa antecipação ao clímax carnavalesco que se aproxima.

Assim começa uma tradição!

sábado, 14 de fevereiro de 2009

LENÇOS DE AMOR

Os lenços de “AMOR”, também conhecidos por “lenços de namorados”, foram de uso corrente, entre nós, até meados do século passado. A sua origem provável remonta aos séculos XVII e XVIII quando as mulheres do povo adoptaram, como adereço dos seus trajes, o uso dos lenços senhoris. Esta moda generalizou-se a todo o país e manteve expressão até aos nossos dias, com maior relevo no Minho, no Algarve e nos Açores.

Os “lenços de namorados” testemunhavam um compromisso de noivado. O seu uso por parte do homem significava aceitar a relação com a moça que o bordou. Eram uma declaração pública de amor que as “moças em idade casadoira” ofereciam como uma prenda ao seu escolhido. Este, por sua vez, para assumir o compromisso, usava-o por cima do casaco domingueiro, no bolso, ou ao pescoço.

Os símbolos mais comuns que encontramos nos “lenços” estão directa ou indirectamente ligados ao seu tema chave: o amor. Corações, motivos florais, chaves, pássaros e ramos. Encontramos também silvas que são adornos bordados em forma de cercadura que imitam motivos florais e são também utilizadas para as orlas dos lenços.

UMA FLOR PARA O AMOR

Mais um dia que a “cultura” global nos impõe.

Mais uma celebração que deveria ser de todos… os dias.

A minha flor vai para todos os que amam!