segunda-feira, 23 de novembro de 2009
A GUITARRA PELA BOCA DE VINICIUS
Uma mulher chamada guitarra
Um dia, casualmente, eu disse a um amigo que a guitarra, ou violão, era “a música em forma de mulher". A frase o encantou e ele a andou espalhando como se ela constituísse o que os franceses chamam un mot d'esprit. Pesa-me ponderar que ela não quer ser nada disso; é, melhor, a pura verdade dos fatos.O violão é não só a música (com todas as suas possibilidades orquestrais latentes) em forma de mulher, como, de todos os instrumentos musicais que se inspiram na forma feminina - viola, violino, bandolim, violoncelo, contrabaixo - o único que representa a mulher ideal: nem grande, nem pequena; de pescoço alongado, ombros redondos e suaves, cintura fina e ancas plenas; cultivada mas sem jactância; relutante em exibir-se, a não ser pela mão daquele a quem ama; atenta e obediente ao seu amado, mas sem perda de caráter e dignidade; e, na intimidade, terna, sábia e apaixonada. Há mulheres-violino, mulheres-violoncelo e até mulheres- contrabaixo.Mas como recusam-se a estabelecer aquela íntima relação que o violão oferece; como negam-se a se deixar cantar preferindo tornar-se objeto de solos ou partes orquestrais; como respondem mal ao contato dos dedos para se deixar vibrar, em beneficio de agentes excitantes como arcos e palhetas, serão sempre preteridas, no final, pelas mulheres-violão, que um homem pode, sempre que quer, ter carinhosamente em seus braços e com ela passar horas de maravilhoso isolamento, sem necessidade, seja de tê-la em posições pouco cristãs, como acontece com os violoncelos, seja de estar obrigatoriamente de pé diante delas, como se dá com os contrabaixos.Mesmo uma mulher-bandolim (vale dizer: um bandolim), se não encontrar um Jacob pela frente, está roubada. Sua voz é por demais estrídula para que se a suporte além de meia hora. E é nisso que a guitarra, ou violão (vale dizer: a mulher-violão), leva todas as vantagens. Nas mãos de um Segovia, de um Barrios, de um Sanz de la Mazza, de um Bonfá, de um Baden Powell, pode brilhar tão bem em sociedade quanto um violino nas mãos de um Oistrakh ou um violoncelo nas mãos de um Casals. Enquanto que aqueles instrumentos dificilmente poderão atingir a pungência ou a bossa peculiares que um violão pode ter, quer tocado canhestramente por um Jayme Ovalle ou um Manuel Bandeira, quer "passado na cara" por um João Gilberto ou mesmo o crioulo Zé-com-Fome, da Favela do Esqueleto.Divino, delicioso instrumento que se casa tão bem com o amor e tudo o que, nos instantes mais belos da natureza, induz ao maravilhoso abandono! E não é à toa que um dos seus mais antigos ascendentes se chama viola d'amore, como a prenunciar o doce fenômeno de tantos corações diariamente feridos pelo melodioso acento de suas cordas... Até na maneira de ser tocado - contra o peito - lembra a mulher que se aninha nos braços do seu amado e, sem dizer-lhe nada, parece suplicar com beijos e carinhos que ele a tome toda, faça-a vibrar no mais fundo de si mesma, e a ame acima de tudo, pois do contrário ela não poderá ser nunca totalmente sua.Ponha-se num céu alto uma Lua tranqüila. Pede ela um contrabaixo? Nunca! Um violoncelo? Talvez, mas só se por trás dele houvesse um Casals. Um bandolim? Nem por sombra! Um bandolim, com seu tremolos, lhe perturbaria o luminoso êxtase. E o que pede então (direis) uma Lua tranqüila num céu alto? E eu vos responderei: um violão. Pois dentre os instrumentos musicais criados pela mão do homem, só o violão é capaz de ouvir e de entender a Lua.
in Para viver um grande amor (crônicas e poemas)
in Poesia completa e prosa: "Para viver um grande amor"
quinta-feira, 19 de novembro de 2009
INSTRUMENTOS MUSICAIS DO MUNDO - O CAVAQUINHO DE CABO VERDE
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Mais a sul, ainda no atlântico, nova paragem, agora em Cabo Verde.
A receber-nos o instrumento "mais malcriado" do país: o cavaquinho.
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Como recurso vamos utilizar novamente um video extraído dos "Cordofones tradicionais da Macaronésia" fruto do projecto "Chronos"*.
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*Projecto realizado no âmbito do Programa Interreg III com as parcerias do Instituto Açoriano de Cultura, Universidade da Madeira, Direcção Regional de Educação da Madeira, OVGA Açores e Direccion General de Educacíon del Gobierno de Canarias, que teve por objectivo realizar vários cursos de formação online sobre cultura e história dos três arquipélagos da Macaronésia, juntando ainda o de Cabo Verde.
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sábado, 14 de novembro de 2009
MAIS NADA FOI DECRETADO...

Títulos da cidade de Angra
Tendo sido esta cidade condecorada com o título de - "Mui nobre e sempre leal cidade de Angra" - pelos feitos heroícos praticados por seus fieís habitantes na restauração de Portugal em 1641, e tendo outrossim estas ilhas sido declaradas adjacentes ao Reino de Portugal por alvará de 26 de Fevereiro de 1771, e ultimamente contempladas como província do reino, §.1º, artigo 2º, título 1º da Carta Constitucional: há por bem esta Junta Provisória, encarregada de manter a legítima autoridade d'el-rei o Sr. D. Pedro IV, declarar em nome do mesmo Augusto Senhor, que todas as nove ilhas dos Açores são uma só e única província do reino, e que esta cidade de Angra é a capital da província dos Açores. As autoridades a quem competir assim o tenham entendido, cumpram e façam cumprir: e o Secretário dos Negócios Interinos faça dirigir cópia deste decreto às estações competentes e autoridades na forma do estilo.
Tendo sido esta cidade condecorada com o título de - "Mui nobre e sempre leal cidade de Angra" - pelos feitos heroícos praticados por seus fieís habitantes na restauração de Portugal em 1641, e tendo outrossim estas ilhas sido declaradas adjacentes ao Reino de Portugal por alvará de 26 de Fevereiro de 1771, e ultimamente contempladas como província do reino, §.1º, artigo 2º, título 1º da Carta Constitucional: há por bem esta Junta Provisória, encarregada de manter a legítima autoridade d'el-rei o Sr. D. Pedro IV, declarar em nome do mesmo Augusto Senhor, que todas as nove ilhas dos Açores são uma só e única província do reino, e que esta cidade de Angra é a capital da província dos Açores. As autoridades a quem competir assim o tenham entendido, cumpram e façam cumprir: e o Secretário dos Negócios Interinos faça dirigir cópia deste decreto às estações competentes e autoridades na forma do estilo.
Angra, 28 de Outubro de 1828. - Deocleciano Leão Cabreira - João José da Cunha Ferraz - José António Silva Torres. - Referendado: Alexandre Martins Pamplona.
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quinta-feira, 12 de novembro de 2009
INSTRUMENTOS MUSICAIS DO MUNDO - O TIMPLE
Navegando ainda por mares calmos da Macaronésia Atlântica, vamos fazer uma paragem no arquipélago das Canárias.
Aqui, utilizando uma vez mais como recurso o excelente trabalho "Cordofones tradicionais da Macaronésia" fruto do projecto "Chronos"*, vamos conhecer o "timple".
*Projecto realizado no âmbito do Programa Interreg III com as parcerias do Instituto Açoriano de Cultura, Universidade da Madeira, Direcção Regional de Educação da Madeira, OVGA Açores e Direccion General de Educacíon del Gobierno de Canarias, que teve por objectivo realizar vários cursos de formação online sobre cultura e história dos três arquipélagos da Macaronésia, juntando ainda o de Cabo Verde.
Aqui, utilizando uma vez mais como recurso o excelente trabalho "Cordofones tradicionais da Macaronésia" fruto do projecto "Chronos"*, vamos conhecer o "timple".
*Projecto realizado no âmbito do Programa Interreg III com as parcerias do Instituto Açoriano de Cultura, Universidade da Madeira, Direcção Regional de Educação da Madeira, OVGA Açores e Direccion General de Educacíon del Gobierno de Canarias, que teve por objectivo realizar vários cursos de formação online sobre cultura e história dos três arquipélagos da Macaronésia, juntando ainda o de Cabo Verde.
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sábado, 3 de outubro de 2009
INSTRUMENTOS MUSICAIS DO MUNDO - o BRAGUINHA ou MACHETE
Neste périplo pelos instrumentos musicais do mundo vamos fazer uma paragem no arquipélago e Região Autónoma da Madeira. Desta feita para conhecermos o "Braguinha" ou "Machete”.
Quando alguém se propõe a estudar um instrumento musical quase sempre começa por se preocupar em encontrar uma justificação para o nome com que é conhecido. As teorias, quase sempre desenvolvidas à volta de pressupostos (uns mais bem fundamentados do que outros) muitas vezes falham por limitarem a sua análise a uma visão temporal baseada em falsos pressupostos, isto é, numa perspectiva de hoje transposta para um, dois ou três (senão mais) séculos atrás. Por outro lado, quase sempre caímos no erro de termos como verdade intocável a opinião de alguém que, embora com créditos justamente adquiridos, opinou sobre este ou aquele outro assunto que analisou de forma mais ou menos superficial, raramente tendo em linha de conta a distancia que separa a sua cátedra do mundo real (por exemplo uma visão urbana de uma realidade rural) sonegando à nossa inteligência a possibilidade de exercitar outras teorias.
Vem este arrazoado todo a propósito do nome deste instrumento popular madeirense e da interessante teoria desenvolvida Roberto Moritz publicada no seu “blog” “Machetes do Mundo” que eu, pessoalmente, acho verosímil.
Diz o professor e músico:
“Esta é uma teoria desenvolvida por mim, que passo a descrever, mesmo sem conhecimento de documentos que a possam comprovar:
A Madeira desde há muito tempo que é visitada pelos ingleses, os quais foram deixando marcas que ainda hoje estão bem presentes - como por exemplo, muitas das grandes quintas construídas.
Nestas longas décadas de visitas, procuravam a Madeira pelas mais diversas razões, em diversas áreas, desde a botânica, turismo, comércio, etc, e sempre se interessavam pela nossa cultura e costumes, mantendo um contacto constante com os naturais de cá(?).
De certo que, entre todos esses visitantes, haveria sempre algum que era músico instrumentista, e que tomaria interesse em saber com que instrumento é que os madeirenses se entretinham.
Foi num desses contactos que um guitarrista inglês, ao encontrar um grupo de populares, se deparou com um deles a tocar uma espécie de viola muito mais minúscula que o habitual. Curiosamente aproximou-se e começou a dialogar (mesmo com algumas dificuldades linguísticas) com o dito tocador e, após uns minutos de conversa, viu-se tentado a pedir para experimentar aquela pequena viola...
Só que o problema é que aquilo não era nada do que estava habituado, e logo se deparou com dificuldade em colocar os dedos pela escala, em acertar com as cordas, e a conseguir tirar alguma melodia, pelo que uns instantes depois, já desesperado, gritou: "Man! sh*t!!".
Desde então os populares, que sempre tiveram em conta o nível de educação dos ilustres que os visitavam de outras terras, começaram a chamar àquele instrumento de Machete.”
Uma delícia!
Vem este arrazoado todo a propósito do nome deste instrumento popular madeirense e da interessante teoria desenvolvida Roberto Moritz publicada no seu “blog” “Machetes do Mundo” que eu, pessoalmente, acho verosímil.
Diz o professor e músico:
“Esta é uma teoria desenvolvida por mim, que passo a descrever, mesmo sem conhecimento de documentos que a possam comprovar:
A Madeira desde há muito tempo que é visitada pelos ingleses, os quais foram deixando marcas que ainda hoje estão bem presentes - como por exemplo, muitas das grandes quintas construídas.
Nestas longas décadas de visitas, procuravam a Madeira pelas mais diversas razões, em diversas áreas, desde a botânica, turismo, comércio, etc, e sempre se interessavam pela nossa cultura e costumes, mantendo um contacto constante com os naturais de cá(?).
De certo que, entre todos esses visitantes, haveria sempre algum que era músico instrumentista, e que tomaria interesse em saber com que instrumento é que os madeirenses se entretinham.
Foi num desses contactos que um guitarrista inglês, ao encontrar um grupo de populares, se deparou com um deles a tocar uma espécie de viola muito mais minúscula que o habitual. Curiosamente aproximou-se e começou a dialogar (mesmo com algumas dificuldades linguísticas) com o dito tocador e, após uns minutos de conversa, viu-se tentado a pedir para experimentar aquela pequena viola...
Só que o problema é que aquilo não era nada do que estava habituado, e logo se deparou com dificuldade em colocar os dedos pela escala, em acertar com as cordas, e a conseguir tirar alguma melodia, pelo que uns instantes depois, já desesperado, gritou: "Man! sh*t!!".
Desde então os populares, que sempre tiveram em conta o nível de educação dos ilustres que os visitavam de outras terras, começaram a chamar àquele instrumento de Machete.”
Uma delícia!
Para um melhor conhecimento deste pequeno instrumento aqui fica um trabalho muito interessante, em vídeo, sobre a “Braguinha da Madeira” com o contributo do “violeiro” Carlos Jorge e dos músicos Roberto Moniz e Roberto Moritz.
quarta-feira, 30 de setembro de 2009
INSTRUMENTOS MUSICAIS DO MUNDO - O BRINQUINHO

O “brinquinho” é um instrumento musical da família dos “idiofones” e um “ex-líbris” da ilha da Madeira. Serve exclusivamente para acompanhamento das danças tradicionais daquela Região Autónoma e é composto por bonecos de pau vestidos com o traje tradicional da região, castanholas, fitilhos e caricas, dispostos de forma ordenada numa cana de roca e que são agitados verticalmente pelo executante.
O “bailinho da Madeira” ou apenas o “bailinho” é uma das músicas portuguesas mais conhecidas em todo o mundo. Por estar associada a ele, a imagem do “brinquinho” está também largamente difundida.
O "brinquinho" apesar de ser o instrumento regional de aceitação popular é de criação relativamente recente e, tal como o “bailinho”, terá surgido quando começaram a aparecer os primeiros grupos folclóricos na primeira metade do século XX.
O “bailinho da Madeira” ou apenas o “bailinho” é uma das músicas portuguesas mais conhecidas em todo o mundo. Por estar associada a ele, a imagem do “brinquinho” está também largamente difundida.
O "brinquinho" apesar de ser o instrumento regional de aceitação popular é de criação relativamente recente e, tal como o “bailinho”, terá surgido quando começaram a aparecer os primeiros grupos folclóricos na primeira metade do século XX.
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quarta-feira, 16 de setembro de 2009
NOSSA SENHORA DOS MILAGRES DA SERRETA - A FESTA DA FÉ
Acabaram-se as férias. E logo na semana da Serreta, ainda a tempo de cumprir o sacramental sábado e de gozar o feriado (tolerância?) da segunda-feira.A festa de Nossa Senhora dos Milagres da Serreta é, na ilha Terceira, um caso particular de fé, disfarçada por vezes em deleites profanos, cuja origem se esfuma na penumbra do tempo.
Do "Almanach Açores para 1904" respiguei o seguinte texto que nos dá conta da provável origem desta festividade e da sua evolução ao longo dos tempos:
“A risonha freguesia está situada no cabo ocidental da ilha, voltada a sudoeste, num terreno alto sobranceiro ao mar, tendo uma área de 12 quilómetros quadrados.
O seu nome tem origem na serra que lhe fica eminente pelo norte e da qual provem os nevoeiros ali tão frequentes.
Ao título do orago da freguesia – Nossa Senhora dos Milagres – estão ligadas recordações e tradições encantadoras.
Segundo a tradição, nos fins do século XVI, um piedoso sacerdote, vítima duma injusta perseguição, ali se foi estabelecer.
Eis a lenda piedosa e poética da devoção à Virgem dos Milagres:
Havia um velho padre, velho e bom santo homem que, para fugir do mundo e dos homens, tomou o seu bordão e foi por serras e montes à procura de um ermo onde pudesse orar. Foi-se embrenhando pelos matos, mais e mais até não ouvir outros ruídos que os do vento agitando as florestas e os do mar quebrando-se nos alcantilados rochedos.
O venerando sacerdote conseguiu o que tão ardentemente desejava, por entre penas, trabalhos e privações de toda a ordem. Chegou à Serreta exausto de forças, mas vigoroso de fé e de confiança. Era bem aquele lugar o que Nossa Senhora lhe havia indicado numa visão encantadora e doce, visão que lhe enchia a alma inteira, que o alentava, que o fortalecia. De suas próprias mãos, ali onde era mais áspera e selvagem a terra, erigiu uma modesta e pequenina capela, onde colocou a imagem da Virgem, que sempre o acompanhou. Foi ali que orou, prostrado ante a mãe de Deus durante o resto dos seus dias, "descuidoso" das glórias vãs do mundo, longe do bulício das povoações, na paz da consciência, no silêncio do ermo!
Anos depois da morte do piedoso sacerdote que construíra a primitiva e singela capela, onde acorria todos os anos muito povo em romagem, teve de transferir-se a imagem para a paroquial das Doze Ribeiras, porque os romeiros, pelo abandono em que estava a capela, praticavam ali actos pouco edificantes.
Em 1762, ao saber-se por comunicação do Conde de Oeiras, que as tropas espanholas tinham entrado em Portugal, várias pessoas importantes da ilha e oficiais da guarnição, no intuito de pôr a Terceira em estado de repelir um ataque, percorreram o litoral escolhendo os locais para construir fortificações. Chegando às Doze Ribeiras, invocaram auxílio de N.ª S.ª dos Milagres, obrigando-se a fazer-lhe festas solenes se a ilha não fosse atacada. Assim sucedeu. A paz foi assinada. Dois anos depois os peticionários que se ficaram chamando "Escravos da Senhora" lavraram um termo firmando aquele voto, com a data de 11 de Setembro de 1764. O voto cumpriu-se solenemente, com a maior grandeza e piedade.
Dez anos mais tarde, em 13 de Setembro de 1772, na freguesia das Doze Ribeiras, lavrou-se um acordam pelo qual os "Escravos" convieram na reedificação da ermida da Serreta, obtendo desde logo na ilha grandes donativos para a obra.
Não obstante tão excelentes propósitos, 25 anos depois, em 1797, ainda não estava reedificada a capela. Como por essa ocasião ameaçasse o reino o perigo da ocupação francesa, foi revalidado o voto com referência à festa, obrigando-se todos a cumprir o propósito da reedificação da pequena igreja. Este novo voto tinha data de 26 de Julho de 1797.
Passado, porém, o perigo os votos foram esquecidos. Em 1818 o general Francisco António de Araújo obedecendo ao plano geral de levantar as capelas mores das igrejas que ao povo competia acabar, nos lugares em que o desenvolvimento da população o exigisse, e sabendo dos votos feitos em 1762 e 1797, promoveu a construção duma igreja na Serreta, por meio de donativos de alguns devotos e do Estado, chegando a obter o levantamento das paredes. As perturbações políticas da época obstaram conclusão da obra.
Em 1842, o conselheiro José Silvestre Ribeiro, governador civil do distrito, conseguiu levar a efeito a construção da igreja coadjuvado pelos senhores Visconde de Bruges e brigadeiro Vital de Bettencourt Vasconcelos de Lemos, que por escritura de 30 de Agosto de 1842 fez doação de 4&000 reis anuais para património da nova igreja, e outros cavalheiros angrenses. A 10 de Setembro do mesmo ano realizava-se a trasladação da imagem de N.ª S.ª dos Milagres para a sua nova capela, sendo criado ali um "curato", até que por decreto de 16 de Outubro de 1861 e provisão do bispo D. Frei Estevam, de 24 de Dezembro do mesmo ano, foi criada a paróquia e freguesia denominada de Nossa Senhora dos Milagres, que principiou a funcionar em 1 de Janeiro de 1862.
Quando em 2 de Julho de 1847 o sempre lembrado sacerdote padre Francisco Rogério da Costa, tomou conta do "curato", encontrou a pequena ermida absolutamente carecida de tudo. Apenas existia a imagem de N.ª S.ª dos Milagres acomodada num nicho e alguns pobres paramentos.
Cinco anos depois, teve de abandonar o lugar, deixando feita a capela-mor, um camarim para o S. Sacramento, dois altares laterais onde se dizia missa e ornamentos suficientes para o culto. Junto à ermida tinha sido construído um belo passal.
Todos estes melhoramentos consegui-os o zelo fervoroso do padre Rogério, auxiliado largamente pelas esmolas de muitos cavalheiros de Angra e em geral, do povo de toda a ilha.
Durante muitos anos as festas eram feitas pelas principais famílias de Angra. Hoje, porém, são custeadas pelas esmolas dos fiéis.
As acanhadas dimensões da igreja e o aumento progressivo da população, reclamavam desde muito tempo a edificação de um novo templo.
Coube ao vigário reverendíssimo Francisco Lourenço do Rego, sacerdote de alto espírito, de extremada prudência e de inquebrantável tenacidade, levar a vias de realização o empreendimento.
Em 29 de Abril de 1895 procedia-se à cerimónia da bênção da primeira pedra da nova igreja.
As obras iniciaram-se logo e, sete anos passados, estão quase concluídas as paredes da nova e elegante igreja, que ficará sendo um dos mais formosos templos da ilha.
As festas anuais que ali se celebram são imponentíssimas. Por essa ocasião, um dos aspectos que fica perdurável no espírito do “turiste” é, sem dúvida, o Pico da Serreta, no dia da corrida de touros, onde por entre o verde escuro do mato que o reveste, se destacam as variegadas cores claras e vivas, dos trajos de milhares de pessoas de todos os pontos da ilha que dali vão gozar alegremente a popular diversão tão querida do povo terceirense e complemento fatal de todas as festas quer profanas quer religiosas.
Dr. Ferreira-Deusdado”
Do "Almanach Açores para 1904" respiguei o seguinte texto que nos dá conta da provável origem desta festividade e da sua evolução ao longo dos tempos:
“A risonha freguesia está situada no cabo ocidental da ilha, voltada a sudoeste, num terreno alto sobranceiro ao mar, tendo uma área de 12 quilómetros quadrados.
O seu nome tem origem na serra que lhe fica eminente pelo norte e da qual provem os nevoeiros ali tão frequentes.
Ao título do orago da freguesia – Nossa Senhora dos Milagres – estão ligadas recordações e tradições encantadoras.
Segundo a tradição, nos fins do século XVI, um piedoso sacerdote, vítima duma injusta perseguição, ali se foi estabelecer.
Eis a lenda piedosa e poética da devoção à Virgem dos Milagres:
Havia um velho padre, velho e bom santo homem que, para fugir do mundo e dos homens, tomou o seu bordão e foi por serras e montes à procura de um ermo onde pudesse orar. Foi-se embrenhando pelos matos, mais e mais até não ouvir outros ruídos que os do vento agitando as florestas e os do mar quebrando-se nos alcantilados rochedos.
O venerando sacerdote conseguiu o que tão ardentemente desejava, por entre penas, trabalhos e privações de toda a ordem. Chegou à Serreta exausto de forças, mas vigoroso de fé e de confiança. Era bem aquele lugar o que Nossa Senhora lhe havia indicado numa visão encantadora e doce, visão que lhe enchia a alma inteira, que o alentava, que o fortalecia. De suas próprias mãos, ali onde era mais áspera e selvagem a terra, erigiu uma modesta e pequenina capela, onde colocou a imagem da Virgem, que sempre o acompanhou. Foi ali que orou, prostrado ante a mãe de Deus durante o resto dos seus dias, "descuidoso" das glórias vãs do mundo, longe do bulício das povoações, na paz da consciência, no silêncio do ermo!
Anos depois da morte do piedoso sacerdote que construíra a primitiva e singela capela, onde acorria todos os anos muito povo em romagem, teve de transferir-se a imagem para a paroquial das Doze Ribeiras, porque os romeiros, pelo abandono em que estava a capela, praticavam ali actos pouco edificantes.
Em 1762, ao saber-se por comunicação do Conde de Oeiras, que as tropas espanholas tinham entrado em Portugal, várias pessoas importantes da ilha e oficiais da guarnição, no intuito de pôr a Terceira em estado de repelir um ataque, percorreram o litoral escolhendo os locais para construir fortificações. Chegando às Doze Ribeiras, invocaram auxílio de N.ª S.ª dos Milagres, obrigando-se a fazer-lhe festas solenes se a ilha não fosse atacada. Assim sucedeu. A paz foi assinada. Dois anos depois os peticionários que se ficaram chamando "Escravos da Senhora" lavraram um termo firmando aquele voto, com a data de 11 de Setembro de 1764. O voto cumpriu-se solenemente, com a maior grandeza e piedade.
Dez anos mais tarde, em 13 de Setembro de 1772, na freguesia das Doze Ribeiras, lavrou-se um acordam pelo qual os "Escravos" convieram na reedificação da ermida da Serreta, obtendo desde logo na ilha grandes donativos para a obra.
Não obstante tão excelentes propósitos, 25 anos depois, em 1797, ainda não estava reedificada a capela. Como por essa ocasião ameaçasse o reino o perigo da ocupação francesa, foi revalidado o voto com referência à festa, obrigando-se todos a cumprir o propósito da reedificação da pequena igreja. Este novo voto tinha data de 26 de Julho de 1797.
Passado, porém, o perigo os votos foram esquecidos. Em 1818 o general Francisco António de Araújo obedecendo ao plano geral de levantar as capelas mores das igrejas que ao povo competia acabar, nos lugares em que o desenvolvimento da população o exigisse, e sabendo dos votos feitos em 1762 e 1797, promoveu a construção duma igreja na Serreta, por meio de donativos de alguns devotos e do Estado, chegando a obter o levantamento das paredes. As perturbações políticas da época obstaram conclusão da obra.
Em 1842, o conselheiro José Silvestre Ribeiro, governador civil do distrito, conseguiu levar a efeito a construção da igreja coadjuvado pelos senhores Visconde de Bruges e brigadeiro Vital de Bettencourt Vasconcelos de Lemos, que por escritura de 30 de Agosto de 1842 fez doação de 4&000 reis anuais para património da nova igreja, e outros cavalheiros angrenses. A 10 de Setembro do mesmo ano realizava-se a trasladação da imagem de N.ª S.ª dos Milagres para a sua nova capela, sendo criado ali um "curato", até que por decreto de 16 de Outubro de 1861 e provisão do bispo D. Frei Estevam, de 24 de Dezembro do mesmo ano, foi criada a paróquia e freguesia denominada de Nossa Senhora dos Milagres, que principiou a funcionar em 1 de Janeiro de 1862.
Quando em 2 de Julho de 1847 o sempre lembrado sacerdote padre Francisco Rogério da Costa, tomou conta do "curato", encontrou a pequena ermida absolutamente carecida de tudo. Apenas existia a imagem de N.ª S.ª dos Milagres acomodada num nicho e alguns pobres paramentos.
Cinco anos depois, teve de abandonar o lugar, deixando feita a capela-mor, um camarim para o S. Sacramento, dois altares laterais onde se dizia missa e ornamentos suficientes para o culto. Junto à ermida tinha sido construído um belo passal.
Todos estes melhoramentos consegui-os o zelo fervoroso do padre Rogério, auxiliado largamente pelas esmolas de muitos cavalheiros de Angra e em geral, do povo de toda a ilha.
Durante muitos anos as festas eram feitas pelas principais famílias de Angra. Hoje, porém, são custeadas pelas esmolas dos fiéis.
As acanhadas dimensões da igreja e o aumento progressivo da população, reclamavam desde muito tempo a edificação de um novo templo.
Coube ao vigário reverendíssimo Francisco Lourenço do Rego, sacerdote de alto espírito, de extremada prudência e de inquebrantável tenacidade, levar a vias de realização o empreendimento.
Em 29 de Abril de 1895 procedia-se à cerimónia da bênção da primeira pedra da nova igreja.
As obras iniciaram-se logo e, sete anos passados, estão quase concluídas as paredes da nova e elegante igreja, que ficará sendo um dos mais formosos templos da ilha.
As festas anuais que ali se celebram são imponentíssimas. Por essa ocasião, um dos aspectos que fica perdurável no espírito do “turiste” é, sem dúvida, o Pico da Serreta, no dia da corrida de touros, onde por entre o verde escuro do mato que o reveste, se destacam as variegadas cores claras e vivas, dos trajos de milhares de pessoas de todos os pontos da ilha que dali vão gozar alegremente a popular diversão tão querida do povo terceirense e complemento fatal de todas as festas quer profanas quer religiosas.
Dr. Ferreira-Deusdado”
segunda-feira, 24 de agosto de 2009
INSTRUMENTOS MUSICAS DO MUNDO - O HARDENGER
De aspecto muito semelhante ao violino tem, para além das quatro cordas padrão deste, quatro ou cinco cordas denominadas “understrings” ou “cordas simpáticas” que ressoam sob a influência daquelas, proporcionando uma agradável ressonância. Na sua decoração são usados motivos zoomórficos, normalmente um dragão, o leão da Noruega ou, não raras vezes, uma cabeça de mulher como remate do braço. São também utilizadas incrustações de madre pérola sobre a escala e decorações a tinta preta – rosing – no corpo do instrumento.
Vimo-lo recentemente tocado pelo representante norueguês no XXV Festival de Folclore dos Açores o grupo Strilaringen de Nordhordland.
Ao contrário de muitos outros países europeus, a Noruega possui uma tradição continuada de música folclórica, passada de geração para geração não havendo, por isso, qualquer necessidade de um re-despertar para este tipo de música.
A música folclórica norueguesa, tanto vocal como instrumental, é normalmente executada por solistas. A música instrumental é tocada geralmente no violino ou no violino de Hardanger, sendo este último considerado o instrumento nacional da Noruega. Possui uma bela decoração e é construído de forma um pouco diferente da de um violino vulgar. Os peritos discordam quanto ao facto de o violino de Hardanger ter evoluído a partir do violino ou de instrumentos de corda medievais. Entre outros instrumentos tradicionais de música folclórica usados na Noruega contam-se a harpa do judeu (munnharpe), várias flautas, o chifre de carneiro (bukkehorn), o chifre de madeira (lur) e a cítara norueguesa (langeleik). Alguns destes instrumentos têm origens muito antigas. Embora alguma da música folclórica norueguesa seja também muito antiga, uma grande parte do repertório teve origem apenas no século XIX. O repertório instrumental divide-se normalmente pelos mais recentes tipos de música de dança tradicional, influenciada pela Europa central (gammaldans), tais como valsas, reinlenders e polcas, e os tipos mais antigos (bygdedans) como a springar, a gangar e a lyarslått (conhecidas internacionalmente pelos seus nomes noruegueses). O uso de cordas de bordão no violino de Hardanger tradicional, combinado com o recurso a grande número de afinações, confere à música uma rica variedade de harmonias tonais. Esta circunstância serviu de fonte de inspiração para vários compositores noruegueses, incluindo o famoso Edvard Grieg.
Todos os anos se organizam dois concursos nacionais. O Festival Nacional de Música de Dança Folclórica é um concurso de gammeldans, enquanto que o Concurso Nacional de Música Tradicional abarca a mais antiga tradição bygdedans de toque de violino e cantares, dança folclórica e domínio de instrumentos mais antigos de música folclórica. Outros locais relevantes onde o público e os músicos folclóricos se reúnem incluem o Festival de Música Folclórica de Førde, o Festival Internacional de Música Folclórica de Telemark, em Bø, e o Festival Jørn Hilme, em Valdres.
Fonte: Centro de Informação Musical da Noruega / The Norwegian Traditional Music and Dance Association
Ao contrário de muitos outros países europeus, a Noruega possui uma tradição continuada de música folclórica, passada de geração para geração não havendo, por isso, qualquer necessidade de um re-despertar para este tipo de música.
A música folclórica norueguesa, tanto vocal como instrumental, é normalmente executada por solistas. A música instrumental é tocada geralmente no violino ou no violino de Hardanger, sendo este último considerado o instrumento nacional da Noruega. Possui uma bela decoração e é construído de forma um pouco diferente da de um violino vulgar. Os peritos discordam quanto ao facto de o violino de Hardanger ter evoluído a partir do violino ou de instrumentos de corda medievais. Entre outros instrumentos tradicionais de música folclórica usados na Noruega contam-se a harpa do judeu (munnharpe), várias flautas, o chifre de carneiro (bukkehorn), o chifre de madeira (lur) e a cítara norueguesa (langeleik). Alguns destes instrumentos têm origens muito antigas. Embora alguma da música folclórica norueguesa seja também muito antiga, uma grande parte do repertório teve origem apenas no século XIX. O repertório instrumental divide-se normalmente pelos mais recentes tipos de música de dança tradicional, influenciada pela Europa central (gammaldans), tais como valsas, reinlenders e polcas, e os tipos mais antigos (bygdedans) como a springar, a gangar e a lyarslått (conhecidas internacionalmente pelos seus nomes noruegueses). O uso de cordas de bordão no violino de Hardanger tradicional, combinado com o recurso a grande número de afinações, confere à música uma rica variedade de harmonias tonais. Esta circunstância serviu de fonte de inspiração para vários compositores noruegueses, incluindo o famoso Edvard Grieg.
Todos os anos se organizam dois concursos nacionais. O Festival Nacional de Música de Dança Folclórica é um concurso de gammeldans, enquanto que o Concurso Nacional de Música Tradicional abarca a mais antiga tradição bygdedans de toque de violino e cantares, dança folclórica e domínio de instrumentos mais antigos de música folclórica. Outros locais relevantes onde o público e os músicos folclóricos se reúnem incluem o Festival de Música Folclórica de Førde, o Festival Internacional de Música Folclórica de Telemark, em Bø, e o Festival Jørn Hilme, em Valdres.
Fonte: Centro de Informação Musical da Noruega / The Norwegian Traditional Music and Dance Association
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sexta-feira, 21 de agosto de 2009
INSTRUMENTOS MUSICAIS DO MUNDO - O BAGPIPE
Este aerofone é característico do sudoeste da Boémia na República Checa. Juntamente com o clarinete e o violino é habitualmente usado para tocar a música Chodsko tradicional da região de Domažlice.O fole, que fica sob e é accionado pelo braço esquerdo do executante, fornece ar ao saco que, sob pressão do braço direito, alimenta, num fluxo contínuo, os tubos de palhetas. O “drone pipe” produz um som constante e passa sobre o ombro direito do músico, para trás, virando em ângulo recto para baixo. O tubo com orifícios onde a melodia é tocada fica à frente do flautista e termina, tal como o “drone pipe”, com um
corno ornamentado com latão ou prata.Típico dos “bagpipes” é o elemento decorativo zoomórfico, quase sempre representando uma cabeça de bode.
terça-feira, 18 de agosto de 2009
XXV FESTIVAL INTERNACIONAL DE FOLCLORE DOS AÇORES - REPRESENTAÇÕES
O público que lotou os lugares disponíveis na Monumental de Angra do Heroísmo na noite de sábado, dia 15 de Agosto, na Gala de Encerramento do XXV Festival Internacionl de Folclore dos Açores, foi um digno representante do povo da Terceira.
domingo, 16 de agosto de 2009
XXV FESTIVAL INTERNACIONAL DE FOLCLORE DOS AÇORES - ENCERRAMENTO
Excelente!É o único adjectivo que me ocorre para definir o espectáculo de encerramento do “XXV Festival Internacional de Folclore dos Açores”, organizado pelo COFIT que, na noite do último sábado ocorreu na Monumental de Angra do Heroísmo.
Se à partida, e tal como já anteriormente tínhamos afirmado, os oito Grupos estrangeiros e os três nacionais que iriam participar nos davam garantias de qualidade, as expectativas não saíram defraudadas. Diria mesmo que foram ultrapassadas.
Cumprindo o horário, aliás como tem sido apanágio desta organização, o espectáculo começou com uma de duas novidades, catalogadas de “surpresas”: a execução de dois temas populares da ilha Terceira – lira e os olhos pretos – por uma orquestra composta por músicos de todos os Grupos participantes. Os arranjos, a coordenação e direcção de orquestra estiveram a cargo de José João Silva. O resultado foi surpreendente e fez eclodir a primeira grande ovação da noite.
Seguiram-se as exibições de todos os grupos participantes que, sem excepção, receberam do público – cerca de cinco mil espectadores – calorosos e justos aplausos.
Para encerrar com chave de ouro a segunda “surpresa” da noite: uma dança, a que chamaram da “alegria”, com pares de dançarinos de todos os Grupos participantes. Foi um momento empolgante e emocionante que tocou fundo a todos os que tiveram o privilégio de assistir.
Parabéns ao COFIT, ao seu presidente Dr. Cesário Pereira e a toda a equipa que coordena pelo excelente trabalho que têm vindo a desenvolver na organização do Festival Internacional de Folclore dos Açores que, salvo pequenos detalhes de pormenor, é o melhor Festival de Folclore de Portugal.
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sábado, 15 de agosto de 2009
XXV FESTIVAL INTERNACIONAL DE FOLCLORE DOS AÇORES
Cheio de vida, cor, alegria e juventude: O XXV FESTIVAL INTERNACIONAL DE FOLCLORE DOS AÇORES. O melhor festival de sempre, na opinião dos dirigentes do COFIT, entidade que o organiza.
Tendo em conta os grupos estrangeiros que nele participam, e que ontem desfilaram pela rua da Sé, novamente ornada com uma moldura humana notável, as expectativas são elevadas para o espectáculo de encerramento que hoje terá lugar na monumental de Angra do Heroísmo. E se o festival fosse apenas o encerramento poderia, desde já e em antecipação, estar de acordo com a organização na classificação que dele fazem. Mas o Festival não é só o seu encerramento (e ainda bem).
De todas as outras iniciativas que enriquecem este Festival quero destacar a Feira de Artesanato e Sabores Tradicionais que em boa hora e desde há alguns anos a esta parte se tem realizado. Uma aposta ganha desde o seu início pela envolvência e pela animação que traz ao coração da cidade durante uma semana. É aqui que os Grupos locais têm a possibilidade de se exibirem e de mostrarem aos de casa, mas sobretudo aos de fora, o resultado do trabalho que efectuam ao longo do ano e, no seu conjunto, darem uma imagem da qualidade, ou falta dela, do "folclore" que por aqui se faz. E é aqui que entro em desacordo com a avaliação previamente anunciada e bastante protelada feita pela organização do Festival.
Se esta Feira é parte integrante do Festival e se existem parâmetros de qualidade objectivos que permitem à organização classificar os grupos que vêem de fora de bom ou de mau, então esses mesmos critérios deviam ser utilizados para os Grupos locais.
É lamentável a qualidade que alguns dos nossos Grupos exibem. A imagem que dão é tão má que envergonham todos aqueles que, nos seus Grupos, trabalham para se apresentarem de forma a dignificar aquilo que se dizem representar.
Este modelo de “tudo ao molhe e fé em Deus” tem de ser revisto, custe o que custar.
O COFIT e o Festival Internacional de Folclore dos Açores não podem sair prejudicados na sua avaliação pela actuação menos digna dos nossos Grupos.
Mas também, e por isso, cabe-lhe a ingrata missão de os seleccionar.
Para bem de todos mas com evidentes benefícios para os grupos e, obviamente, para o Maior Festival de Folclore dos Açores.
Tendo em conta os grupos estrangeiros que nele participam, e que ontem desfilaram pela rua da Sé, novamente ornada com uma moldura humana notável, as expectativas são elevadas para o espectáculo de encerramento que hoje terá lugar na monumental de Angra do Heroísmo. E se o festival fosse apenas o encerramento poderia, desde já e em antecipação, estar de acordo com a organização na classificação que dele fazem. Mas o Festival não é só o seu encerramento (e ainda bem).
De todas as outras iniciativas que enriquecem este Festival quero destacar a Feira de Artesanato e Sabores Tradicionais que em boa hora e desde há alguns anos a esta parte se tem realizado. Uma aposta ganha desde o seu início pela envolvência e pela animação que traz ao coração da cidade durante uma semana. É aqui que os Grupos locais têm a possibilidade de se exibirem e de mostrarem aos de casa, mas sobretudo aos de fora, o resultado do trabalho que efectuam ao longo do ano e, no seu conjunto, darem uma imagem da qualidade, ou falta dela, do "folclore" que por aqui se faz. E é aqui que entro em desacordo com a avaliação previamente anunciada e bastante protelada feita pela organização do Festival.
Se esta Feira é parte integrante do Festival e se existem parâmetros de qualidade objectivos que permitem à organização classificar os grupos que vêem de fora de bom ou de mau, então esses mesmos critérios deviam ser utilizados para os Grupos locais.
É lamentável a qualidade que alguns dos nossos Grupos exibem. A imagem que dão é tão má que envergonham todos aqueles que, nos seus Grupos, trabalham para se apresentarem de forma a dignificar aquilo que se dizem representar.
Este modelo de “tudo ao molhe e fé em Deus” tem de ser revisto, custe o que custar.
O COFIT e o Festival Internacional de Folclore dos Açores não podem sair prejudicados na sua avaliação pela actuação menos digna dos nossos Grupos.
Mas também, e por isso, cabe-lhe a ingrata missão de os seleccionar.
Para bem de todos mas com evidentes benefícios para os grupos e, obviamente, para o Maior Festival de Folclore dos Açores.
quarta-feira, 12 de agosto de 2009
INSTRUMENTOS MUSICAIS DO MUNDO - A LUTONG

A "lutong" é uma cítara de tubo característica dos povos Kenyah e Kayan de Sarawak, na ilha de Bornéu, Malásia. É um instrumento utilizado pelas mulheres, com uma sonoridade muito suave, que é normalmente utilizado para acompanhar o canto e, ocasionalmente, alguma dança.
É feito a partir de um tubo de bambu com quatro cordas que se estendem no comprimento deste. Puxadas a partir da casca, esticadas por pequenos paus, são mantidas no lugar por uma trança de vime colocada em cada extremidade.
Crê-se que o homem que tocar este instrumento será, mais cedo ou mais tarde, atacado por um tigre.
É feito a partir de um tubo de bambu com quatro cordas que se estendem no comprimento deste. Puxadas a partir da casca, esticadas por pequenos paus, são mantidas no lugar por uma trança de vime colocada em cada extremidade.
Crê-se que o homem que tocar este instrumento será, mais cedo ou mais tarde, atacado por um tigre.
INSTRUMENTOS MUSICAIS DO MUNDO - O ER HU
O “er hu” é um “violino” de duas cordas muito popular na China. O seu nome provém das palavras "dois" e "bárbaros", e terá chegado há mais de um milhar de anos, provavelmente durante a Dinastia Tang entre os séculos VII e X, trazido por povos tribais do norte.A sua utilização foi, durante séculos, indispensável no acompanhamento das óperas tradicionais.
Do “er hu” conseguem-se extrair sons maviosos, doces e brilhantes desde que o executante seja detentor de um alto grau de virtuosismo.
O moderno “er hu” tem duas cordas metálicas que estão muito próximas um da outra.

A caixa de ressonância é tubular, coberta com pele de cobra por um dos lados. O braço é de madeira de alta densidade com cerca de 80 centímetros. O arco é de bambu e crina de cavalo.
O instrumentista toca o “er hu” sentado, apoiando a caixa de ressonância sobre a perna esquerda, enquanto a mão esquerda segura o instrumento e a mão direita controla o arco.
De timbre suave e claro, o “er hu” pode alcançar 3 oitavas.
terça-feira, 11 de agosto de 2009
INSTRUMENTOS MUSICAIS DO MUNDO - A KEMENCHE
A “kemenche” insere-se num grupo de instrumentos de corda friccionada com arco que tanto se pode encontrar na Ásia como na Europa de Leste e Norte de África e não é mais do que uma adaptação de violinos gregos e turcos. Possui três cordas de tripa cuja afinação mais comum é em Ré'/D' - Sol'/G' - Ré/D.
Na sua construção, normalmente, as costas são escavadas de uma só peça de madeira de cedro ou cipreste sendo o tampo de abeto.
Na sua construção, normalmente, as costas são escavadas de uma só peça de madeira de cedro ou cipreste sendo o tampo de abeto.
O termo “kemenche” (Turco: Kemence, Armênio: K'amântcha - Քյամանչա, Laz: Ç'ilili - ჭილილი, Persa: کمانچه, Grego: κεμεντζές) é usado para descrever dois tipos de instrumentos musicais de três cordas:1- um alaúde em forma de garrafa muito próximo da Kemane da Capadócia, que se encontra na região do Mar Negro da Ásia Menor, e também conhecida como a "kementche do Laz" ou "Pontic kemenche";
e
2 - um alaúde em forma de pêra , muito semelhante à “lyra” bizantina, encontrado principalmente em Istambul e regiões do Leste da Turquia, conhecida como “kemenche” clássica.Ambos os tipos de “kemenche” são tocados na posição vertical: apoiada sobre o joelho, quando o executante está sentado, ou à sua frente quando em pé mas sempre com o “braccio” para cima. O arco do “kemenche” é chamado de “doksar” (grego: δοξάρι), termo que em grego significa “proa”.
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