terça-feira, 23 de agosto de 2011

XX FESTA DA VINHA E DO VINHO DOS BISCOITOS

PROGRAMA




Sexta-Feira, 2 de Setembro de 2011

-21h00 - Colóquio “A Saúde e o Vinho” pela Dra. Cláudia Meneses (nutricionista).
Seguir-se-á um “Biscoitos d’Honra” com o patrocínio da Casa Agrícola Brum e Animação Musical.

Sábado, 3 de Setembro de 2011

“Vamos vindimar”
-14h30 – Saída do Museu do Vinho para a vinha;
-15h30 – Carregamento das uvas e regresso ao Museu do Vinho;
-16h00 – Pisa das uvas;
-16h30 – Bênção e prova do mosto;
-17h00 – Jantar dos Vindimadores;
-18h00–Baile e animação musical.

Confecção do Jantar, Baile e Animação Musical a cargo do Grupo de Baile da Canção Regional Terceirense.

NOTA : A entrada no recinto do “Jantar dos Vindimadores” será permitida apenas a quem possuir uma taladeira (peça de barro que estará à venda no local).

Uma óptima sugestão para o primeiro fim de semana de Setembro.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

XX FESTA DA VINHA E DO VINHO DOS BISCOITOS



Já em preparação a XXª edição da festa que celebra a vinha e o vinho dos Biscoitos. Com o habitual empenho e alegria dos homens e mulheres do Grupo de Baile da Canção Regional Terceirense; com a incomensurável disponibilidade da Casa Agrícola Brum; e com o apoio, desde o primeiro minuto, da Fundação INATEL.

Uma óptima sugestão para o primeiro fim de semana de Setembro.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

UM ANO DEPOIS

Precisamente um ano depois estou de volta!

Novamente com Festival Internacional de Folclore dos Açores, agora na sua XXVIIª edição, e na confirmação do estatuto de "melhor festival de folclore de Portugal".

Esta classificação, sem carácter oficial, é resultante da análise de vários aspectos que, parecendo menores, vão muito para além do grande espectáculo de encerramento. A avaliação, sendo feita pelos próprios grupos que, habituados como estão a participar em eventos similares, é insuspeita e isenta. O público, por sua vez, revela o seu veredicto através da adesão aos eventos que vão sendo realizados ao longo de uma semana e que culmina com a grande gala na Praça de Touros Ilha Terceira que, este ano, registou novamente uma enchente numa noite em que não se se regatearam aplausos aos participantes.


O Festival Internacional de Folclore dos Açores atingiu, quanto a nós, um patamar que é dificilmente ultrapassável. A sua dimensão é também, quanto a nós, insustentável. Embora o modelo esteja definido é preciso ter alguns cuidados com o número de grupos participantes e com a origem dos mesmos, sob pena de cansar e afastar espectadores.


Parabéns COFIT!



terça-feira, 17 de agosto de 2010

GALA DE ENCERRAMENTO DO XXVI FESTIVAL INTERNACIONAL DE FOLCLORE DOS AÇORES - COFIT

Chegou ao fim o XXVI Festival Internacional de Folclore dos Açores. E bem pode dizer-se que fechou com chave d'ouro.
De facto o espectáculo de encerramento foi um deslumbramento. Aliada à qualidade dos grupos participantes, a organização do COFIT foi no mínimo excelente. É claro que este espectáculo é o culminar de uma semana repleta de outras manifestações, quiçá menos mediáticas, mas que, sabemos nós, são de importância vital para a apreciação que as instituições, nomeadamente o CIOFF, e os grupos fazem de todo o festival. E sentimos, mesmo quem não está próximo da organização como nós, sentimos, dizia, que todos os participantes deste Festival vão com a ilha Terceira, a sua gente e os Açores no coração. Sentimos isso na efusão da despedida. Sentimos isso na entrega às "performances" de cada grupo. Sentimos isso porque há emoções que não se podem esconder. E o povo, o imenso povo que enchia literalmente os milhares de lugares disponíveis na monumetal de Angra, não lhes regatearam aplausos, de pé e durante alguns minutos.

Portugal
Grupo Folclórico do Salão (Ilha do Faial) - Açores

Suécia
Folkdanslaget Viljan

Itália
Gruppo Folkloristico Città di Agrigento
Alemanha
Danzdeel Salzkotten

Portugal
Rancho Folclórico da Casa do Povo de Glória do Ribatejo
Espanha
Grupo Folklorico Trebeyu

Polónia
Zespól Piesni i Tanca Szkoly Glównej Handlowej w Warszawie

Croácia
Zagrebacki Folklorni Ansambl

Portugal
Grupo Folclórico de Crastovães

Chipre
Gazimagusa Belediyesi Halk Danslari Toplulugu

Lituania
Vilniaus Pynimélis

U S A
Idaho Rocky Mountain Express
México
Ballet Folklorico Orizaba

Porto Rico
Ballet Folklórico Bellos Atardeceres


Parabéns ao COFIT!

Ate pr'ó ano!
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quinta-feira, 12 de agosto de 2010

À NOITE, NA PRAÇA VELHA

O coração de Angra tem batido, nas últimas noites, ao ritmo da música popular por modo da "VI Feira de Artesanato e Sabores Tradicionais", integrada no programa do "XXVI Festival Internacional de Folclore dos Açores".

Este modelo tem o mérito de servir de aperitivo para o prato principal do "festival" que é, sem sombra de dúvida, a gala de encerramento e permite a todos os "grupos de folclore" locais apresentarem o resultado do seu trabalho ao longo de um ano, não só na vertente da dança "folclórica" como também no desenvolvimento de actividades ligadas ao artesanto e à gastronomia.

Noites agradáveis estas na Praça Velha com excelente correspondência de público e sorrisos a rodos.
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terça-feira, 10 de agosto de 2010

XXVI FESTIVAL INTERNACIONAL DE FOLCLORE DOS AÇORES


O XXVI Festival Internacional de Folclore dos Açores teve ontem o seu início com a cerimónia do astear das bandeiras dos países participantes e terá o seu terminus no próximo dia 14.
Eis o programa:


Terça, 10 / Agosto / 2010
11h00 - Cerimónia protocolar de boas-vindas pelo Governo Regional do Açores Local: Palacete Silveira e Paulo
15h30: Exibição de grupos em Instituições de Solidariedade Social Local: Lar de Idosos da Santa Casa da Misericórdia de Angra do Heroísmo
19h45: Exibição de grupos no Centro Comunitário Americano Local: Base Aérea das Lajes 22h00: Exibição de grupos no Porto Judeu Local: Freguesia do Porto Judeu
22h00: Exibição de grupos nas Festas de São Mateus Local: Freguesia de São Mateus
22h00: Exibição de grupos em São Bartolomeu Local: Terreiro de São Bartolomeu
15h30: Exibição de grupos em Instituições de Solidariedade Social - Local: Centro Social de São Bento
15h30: Exibição de grupos em Instituições de Solidariedade Social - Local: Centro Comunitário das Vila das Lajes


Quarta, 11 / Agosto / 2010
15h30: “Oficinas de Dança e Música” Local: Praça Velha
20h30: “Gala Internacional Sénior – Angra do Heroísmo” Local: Teatro Angrense


Quinta, 12 / Agosto / 2010
14h30: Festa Campera Local: Tentadero da Terra-chã
20h30: “Gala Internacional Sénior – Praia da Vitoria” Local: Praia da Vitória


Sexta, 13 / Agosto / 2010
22h00: “Desfilando e Bailando” Local: Rua da Sé e Praça Velha


Sábado, 14 / Agosto / 2010
11h00: Cerimónia protocolar de boas-vindas pela Câmara Municipal de Angra do Heroísmo Local: Câmara Municipal de Angra do Heroísmo
12h00: Celebração Ecuménica Local: Sé Catedral de Angra do Heroísmo
21h00: “XXVI FESTIVAL INTERNACIONAL DE FOLCLORE DOS AÇORES” Local: Praça de Toiros da Ilha Terceira.


Pelo que temos visto, mais um festival a honrar o prestígio do COFIT.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

A NÃO PERDER


Exposição comemorativa dos 100 anos do nascimento de um dos maiores etnólogos portugueses. "Ernesto Veiga Oliveira, Um Etnólogo nos Açores" estará patente ao público até 9 Setembro na Sala do Capítulo, Museu de Angra do Heroísmo.

A não perder!

sexta-feira, 25 de junho de 2010

MINHA JÓIA DE VIOLA

A marcha do Grupo de Baile da Canção Regional Terceirense saiu à rua na grande noite de S. João da cidade de Angra do Heroísmo.
Perante milhares de pessoas que enchiam literalmente as principais ruas da cidade património, a marcha "Minha Jóia de Viola", com cerca de 100 participantes e com acompanhamento musical da Filarmónica da Associação Cultural do Porto Judeu, desfilou e encantou, tendo recebido fortes e entusiásticos aplausos.
Mais uma louvável iniciativa que vem enriquecer o já valioso currículo do mais antigo grupo de folclore da ilha Terceira

sábado, 19 de junho de 2010

ANGRA JÓIA DO MUNDO

A fazer jus ao ditado "de poeta e de louco..."


Relicário com ametista
Meu pingente de opala
És cruz de pôr ao peito
Diadema de esmeralda

Minha medalha de âmbar
Meu bracelete de turquesa
Pulseira de jade e jaspe
És grinalda de princesa

És meu brinco de orelha
Pérola do meu colar
És a pedra que enfeita
O meu anel de noivar

És botão do meu punho
És fio de ouro e prata
És rubi do meu relógio
Meu alfinete de gravata

És capa real ornada
Com pedras de azeviche
És coroa de imperador
Ceptro de imperatriz

Tuas ruas são safiras
Tuas casas são brilhantes
Teus monumentos topázios
Tuas gentes diamantes

Ó Angra, és uma jóia
Que trago na minha mão
Para dar a toda a gente
Em noite de S. João

quarta-feira, 16 de junho de 2010

A NOSSA MARCHA É LINDA!

O Grupo de Baile da Canção Regional Terceirense organizou uma marcha de S. João para desfilar nas festas de Angra do Heroísmo deste ano. E, tal como hà 2 anos, com letra de Xico Batata e música de Jão Carocho.
Mais uma vez o "nosso" poeta teve o condão de construir uma letra com várias alusões às "modas" do folclore terceirense que constituem o "baile direito" e, como corolário e em perfeita consonância com o tema das festas, eleva a "VIOLA DA TERCEIRA" a "JÓIA DO MUNDO".

Aqui vai a letra

Refrão

Angra que brilha
marchando a compasso
a gente da ilha
vem ao teu regaço
as nossas cantigas
que são tradição
são joías antigas
do teu S. João

A dançar a "doce esperança"
Nos "braços" da maré cheia
Trazemos a nossa herança
Onde a história se passeia
"S. Macaio" naufragou
Pelos "mares" do "meu bem"
Só a "saudade" ficou
Nestes "bravos" de ninguém

O nosso "baile direito"
Dançado em chão de poesia
E o cantador a seu jeito
Vai rimando a nostalgia
Tocada à luz da fogueira
Com sentimento profundo
A "viola da Terceira"
É também joía do mundo

Para os mais distraídos o Xico Batata foi, pelo segundo ano consecutivo, o vencedor do concurso da marcha oficial das Sanjoaninas.

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terça-feira, 15 de junho de 2010

FESTAS "BATISTINAS"


Eis que estão de volta as "sanjoaninas". As maiores festas profanas dos açores, como fazem gala de propagandear os mais "terceiristas" e mentores do permanente despique entre as ilhas. Uma tradição secular a fazer fé em crónicas e relatos antigos. Certamente com outra dimensão e outro espírito mas, sempre que necessário, interrompidas pelas circunstâncias.

Um passeio a meados do século passado, pela pena de Armando Ávila, dá-nos conta de algumas curiosidades interessantes sobre esta festa que, quanto a nós, já conheceu dias melhores.

Venham daí:

"As Festas de S. João tiveram fama, e, durante anos, marca­ram pelo seu brilhan­tismo. Eram anuncia­das em bandos, que percorriam as ruas principais, parando nos largos e centros das localidades.
Além dos banhos milagrosos, fogueiras, perfumes, canções, romarias, preces e sortilégios, com que o povo costu­mava comemorar estas datas, tanto em Angra como na Vila da Praia realizavam-se as festas “batistinas” com a mesma pompa.
Em praças improvisadas, nos largos mais cen­trais das localidades, realizavam-se as “cavalhadas”, as justas, os torneios, os jogos e as danças variadas e caprichosas, e as touradas, em que se chegaram a matar touros, segundo o uso de Espanha, talvez por influência da dominação filipina, que nos alvores do século XVII exerceu natural predomínio nos cos­tumes portugueses.
Para as festas de carácter religioso se edificou, na esquina da Rua de S. João, no prédio onde hoje existe a firma Vidal & C.a, Sues., uma pequena ca­pela, devotada ao venerando patrono dos fidalgos portugueses, S. João Baptista, por iniciativa de João Vieira, o Velho, ao tempo presidente do Senado Terceirense.
"Demorando um primeiro andar “sobradado”—diz o historiador Pinheiro Chagas, — era esta capela de­vassada da porta da rua, a que passou a dar-se o nome do santo, por um arco de volta inteira, enquanto que pela banda da Rua da Sé, (hoje Rua da República), era vista por outro arco de iguais di­mensões. De ambas as ruas, pois, se observava o altar, que se erguia no fundo, ou ponto mais orien­tal deste pequenino edifício religioso, onde por alguns séculos tão festejado foi o filho do incrédulo Zacarias, o preclaro precursor do Divino "Agnus Dei,,.
Tão aparatosas se faziam as festas “batistinas” na Ilha Terceira, que o jornal de Lisboa, A Nação, de 5 de Janeiro de 1681, se lhe referiu nestes termos:
"Admiraram-se os forasteiros que então se acha­vam em Angra, em tal forma, que disseram a voz pública que não poderia ser crido em parte nenhuma do mundo a muita riqueza que possuía em si a ci­dade de Angra; e não faltavam alguns que foram de opinião se não havia mostrar aqueles tão grandes cabedais com tanta publicidade em terra onde resi­diam moradores tantos estrangeiros de várias e di­versas nações e ainda em tempos de inimigos tão poderosos como eram os castelhanos,,.
Embora com menor número de diversões — entre as quais avultava a espera de gado bravo que atravessava as ruas da cidade – ainda há poucos anos se realizavam em Angra, as Festas de S. João.
Acabaram, infelizmente, por desaparecer, sendo de esperar que venham a reviver, ainda este ano."

Boas festas!
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segunda-feira, 31 de maio de 2010

A MULHER E A MODA

A moda destrói a beleza e destrói o espírito. Um cai­xeiro desenha a lápis, em Paris, um certo chapéu um certo corpete, umas certas mangas — e todas, magras e gordas, as louras e as triguei­ras, as altas e as pequeninas, se introduzem, se alojam, se enfiam naquele molde, sem se preocuparem se o seu corpo, a sua cor, o seu per­fil, a sua altura, o seu peito, condizem, harmoniza, vão bem com o molde decretado e chegado pelo correio. Abandonando-se servilmente ao figurino, abdicam a sua ori­ginalidade, o seu gosto. Acei­tam uma banalidade em seda — e um lugar comum com folhos. Uma senhora que não inventa e não cria os seus vestidos — é como um escri­tor que não acha e não in­venta as suas ideias. Ter a toilette do figurino é fazer como os merceeiros que têm a opinião da sua gazeta. Desabitua o espírito da inven­ção, da espontaneidade, da liberdade. É uma confissão tácita de que não tem espírito, nem fantasia. Seguir um figurino é aprender a ele­gância de cor, para ir recitar na rua; é o ter o gosto que se recebeu de encomenda; é alugar o chic ao mês; é mandar vir as ideias pelo correio; é o bom-tom por as­sinatura.
Que falta de espírito! e os maridos pagam-no.

Eça de Queiroz

sexta-feira, 28 de maio de 2010

A LIÇÃO

foto roubada a "Bagos d'Uva"

O Grupo Folclórico Fontes da Nossa Ilha – GFFNI- completou, recentemente, 25 anos de actividade, comemorando assim as suas “bodas de prata”.

Se a efeméride se tivesse resumido à simples lembrança da data, com uma palestra, um comes e bebes da praxe e um artigo para os jornais com uma foto do grupo, sobejaria a palavra “parabéns” e eventualmente os desejos de “outros tantos anos de vida”. Mas o que aconteceu obriga-nos, por uma questão de justiça e pudor, a dizer mais duas ou três palavras.

Logo a primeira com um pedido de desculpas pelo facto de, e apesar de atempadamente ter-mos recebido convite para participar na festa do Divino Espírito Santo de 16 a 23 de Maio, imperativos que não interessam aqui, impediram-nos de estar presentes. Certamente que ficamos nós a perder.

Confesso que as expectativas criadas não eram, também, muito elevadas e, excepção feita às duas palestras agendadas, primeiro pela matéria e, sobretudo, pelo orador Padre Hélder, estudioso e profundo conhecedor da temática do Espírito Santo, o restante, pensava-mos nós, seria igual a tantas outras mordomias e “brianças” para as quais temos sido convidados.

Diariamente, mercê de um trabalho (excelente, diga-se) de informação que nos foi proporcionado de forma apaixonada pelo blog “Bagos d’Uva”, que fez o acompanhamento de todos os momentos desta semana especial, fomos tendo a percepção que afinal estávamos enganados.

O que o GFFNI se propunha fazer era, afinal, muito mais do que preencher uma semana com uma mordomia banal.
O que o GFFNI se propunha fazer, e estava fazendo com o envolvimento e orgulho da comunidade onde está inserido, era trazer de volta aos olhos de todos, os verdadeiros valores da Festa e a beleza de todo o cerimonial, fazendo de cada pormenor o seu ponto alto.
O que o GFFNI se propunha fazer, e estava fazendo era, afinal, trocar o trabalho fácil de fazer a Festa “comprando tudo feito” por muito trabalho feito com muito saber, amor e paixão.
O que o GFFNI se propunha fazer e estava fazendo a cada dia que passava, era mostrar a todos que a Festa, a autentica, é ainda possível com toda a sua riqueza cerimonial e com a preservação de todos os seus valores.
A dignidade posta em cada uma dos momentos da Festa foi sinónima do respeito pela sua simbologia: desde o receber as “insígnias”, a sua colocação em lugar previamente decorado, o terço participado, a abundância e apresentação da “mesa” para as visitas, o ir buscar o vinho, o preparar as flores para os bezerros, a folia que culmina com a bênção do gado pelos seus criadores, a “amassadura” e cozedura do pão e da “massa”, a ceia dos criadores, a partilha permanente, e entreajuda espontânea, a alegria saudável, as sopas, a organização do cortejo da “coroação”, com a entrega das “insígnias” com as devidas distinções, a cerimónia da “coroação”, o bodo, o pão, o vinho, o regresso, a entrega de esmolas, a função, o regresso ao “império”, o arraial, enfim, tudo o que o GFFNI se propôs fazer, fê-lo como deve ser feito e provou, assim, que pode ser feito sem ter que se recorrer aos efeitos perniciosos de uma representação “folclórica”.
O que o GFFNI fez, sem grandes alaridos e parangonas, foi dar uma lição de como se deve trabalhar e dinamizar a cultura popular, evitando a todo o custo a sua “folclorização”.

O “folclore” é um fóssil da cultura popular (que o Divino Espírito Santo me proteja!).

O que nós sempre defendemos, e por vezes de uma forma solitária, é uma cultura popular viva, em que todos se revejam e se identifiquem com ela, sem adereços de faz de conta, sem medos de parecer fora de moda, num esforço permanente de a alimentar com o nosso empenho desinteressado, utilizando-a em nosso proveito e prazer sem a desvirtuar, partilhando-a sem preconceitos e deixando-a orgulhosamente como uma herança digna e apetecível aos nossos vindouros.

O que o GFFNI fez durante a semana de 16 a 23 de Maio de 2010 foi, com muita humildade, dar o seu contributo.

Que todos saibam, ao menos, tirar o proveito desta eloquente Lição!
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quarta-feira, 19 de maio de 2010

O RATEIRO

Há dias li no jornal “A UNIÃO” o respigo da seguinte notícia publicada 100 anos antes, que transcrevo ipsis verbis:
“Liga contra os ratos
Não chegará a dusentos mil reis o dinheiro que a Liga contra os ratos tem em cofre para premiar os caçadores d’estes nefastos roedores.
A direcção d’esta benemérita instituição, vendo-se prestes a ter de suspender o seu patriótico mister, acaba de pedir a intervenção do sr. governador civil a fim de que tal não succeda. S. ex.ª immediatamente telegraphou para Lisboa, ao governo, e o mesmo vae hoje fazer a direcção da Liga.”


A propósito ocorreu-me o seguinte acontecimento:

O “rateiro” era um personagem de arrepiar: andrajoso, de aspecto nojento, fazia gala de ser mal amado. Ninguém se aproximava dele sem sentir asco e náusea. Uma saca de serapilheira às costas, suspensa na ponta de um pau de “carrete” que trazia sobre o ombro esquerdo já calejado, era o seu único adereço. Especulava-se sobre o seu conteúdo que jamais alguém vira mas, no entanto, quase todos o adivinhavam. O peso da saca e o desequilibro provocado por uns “calcinhos” de água ardente eram ajudados por um tosco bordão que trazia na mão direita. Deambulava pela cidade sem rumo nem pressa.
Certo dia deu-se um roubo num estabelecimento comercial localizado na Rua do Galo e que era alvo de frequentes visitas dos amigos do alheio: O Falcão.
Dada a notícia à polícia logo os agentes receberam instruções para terem atenção a qualquer indivíduo suspeito. Um guarda que, havia pouco tempo, tinha chegado à Terceira como reforço da esquadra de Angra, ao cruzar-se numa das ruas da cidade com o “rateiro”, abordou-o perguntando o que ele trazia na saca. O nosso homem nem queria acreditar:
- O quê?
- O que tem dentro desse saco? Já disse!
Na rua toda a gente parava. O “rateiro” olhou para a direita, depois para a esquerda e, muito calmamente, respondeu o que para ele era óbvio:
- São ratos!
- Não brinque comigo! – gritou o guarda sentindo que estava a ser desrespeitado por um indigente perante uma crescente assembleia. E fazendo uso do estatuto que a farda lhe conferia e colocando a voz em tom autoritário ordenou:
- Acompanhe-me à esquadra!
O “rateiro” que, apesar do aspecto, não era homem de faltar ao respeito a ninguém, acatou serenamente a ordem da autoridade e lá foi atrás do sr. Guarda a caminho do Largo do Colégio onde se situava, então, o Comando e a esquadra da PSP.
À entrada, a sentinela de mãos suspensas pelos polegares no largo cinturão preto, um guarda antigo conhecedor do meio e que, por ser cliente habitual do “Gadanha”, da “Gruta do Norte”, do “Gaspar”, do “Machado”, do “Escondidinho”, da “Casa do Pico”, do “Avião”, da “Fonte dos Passarinhos” e de todas as outras tascas da cidade quando fazia ronda, ali estava de castigo. Não conseguiu disfarçar o seu espanto. Rodando sobre si foi acompanhando com o olhar incrédulo os dois personagens que, subindo a escadaria se perderam na penumbra do corredor da esquadra.
- O meu subchefe dá licença? – disse o guarda aprumando-se numa continência como “manda a sapatilha” - Tenho aqui um suspeito do roubo do Falcão!
Seguiu-se um silêncio quase eterno. O “Comandante da Guarda” acabou de ler “ União” que levantava com ambas as mãos à sua frente, deu a última fumaça no “comercial de rolo” que lhe tingia os dedos de ocre velho, atirou certeiro a beata para o escarrador de louça colocado estrategicamente junto à velha secretária, e dirigiu o olhar para os vultos à sua frente. A luz peneirada que entrava pela janela virada para o claustro do velho convento iluminava-lhes as faces, realçando a serenidade de um e a ansiedade do outro.
- Com que então temos um suspeito? – disse o subchefe como se estivesse programado para o fazer, enquanto tentava identificar o cheiro que lhe feria a pituitária.
- Sim meu subchefe! Este homem, além de ter um ar suspeito, ainda por cima gozou comigo à frente de toda a gente!
O subchefe colocou-se em posição favorável perante a luz para se certificar do que a sua intuição de lhe sugeria.
Os olhares do “rateiro e do graduado fixaram-se e, sem uma palavra, ambos expressaram um indelével quanto comprometedor sorriso.
- Diz-me então que o suspeito lhe faltou ao respeito à frente de muita gente! – disse o subchefe, enquanto se afastava ligeiramente dos dois homens que permaneciam imóveis lado a lado. – De que forma? – concluiu.
- Quando lhe perguntei o que trazia na saca respondeu-me que eram ratos, meu subchefe.
- Ratos? – retorquiu o graduado evitando, com custo, uma gargalhada aprisionada na garganta.
- Sim, meu subchefe, ratos!
- Isso é grave! É mesmo uma falta de respeito à autoridade!
- Claro, meu subchefe! – disse o guarda experimentando já uma sensação de dever cumprido.
Um novo e interminável silêncio se instalou no escuro corredor.
- Ouve lá! – disse o subchefe dirigindo-se ao suspeito – Não sabes que podes ir parar ao calabouço por falta de respeito à autoridade?
Sem esperar resposta e levantando a voz, enquanto se afastava para a larga porta que separava o corredor da antecâmara dos calabouços, ordenou:
- Mostre ao sr. Guarda o que tem dentro da saca!
O rateiro não hesitou. Desembaraçou com destreza e rapidez o laço que fechava a boca da velha saca de lona e, pegando-lhe pelo fundo, despejou todo o seu conteúdo aos pés do agente, qual rainha Santa Isabel perante o seu Senhor e Rei D. Diniz:
- São ratos, sr. Guarda! São ratos! Eu não lhe dizia?
Por toda a esquadra ecoaram gritos assustadores. Pelas portas dos gabinetes atropelavam-se, curiosos, os agentes de serviço. O jovem guarda desceu os vários lances da escada que o separava da rua sem tocar num único degrau, a acreditar no testemunho da sentinela que, adivinhando o sucedido, ria a bandeiras despregadas enquanto o via desaparecer no canto do correio.
E quando tudo voltava á normalidade dentro da esquadra ainda se ouviam as gargalhadas do velho subchefe que, refugiado num dos calabouços, enxugava as lágrimas que lhe escorriam em cascata pela face.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

O DIA MUNDIAL DA DANÇA

Aconteceu no passado dia 7, no grande auditório do Centro Cultural e de Congressos de Angra do Heroísmo, um espectáculo alusivo ao Dia Mundial da Dança.
De entre as várias formas e estilos de dança, a organização entendeu incluir o "folclore". Embora receosos da reacção do público a esta "provocação", o resultado final veio dar crédito a quem acreditava e acreditou na aposta.
Quanto a nós, que aceitamos o desafio, julgamos ter dignificado a "dança" no seu conceito global, sem desvirtuar as particularidades deste "estilo".

Como enquadramento da nossa apresentação produzimos e demos a ler o seguinte texto:

O RITMO e o GESTO – dois elementos básicos da dança - foram o meio a que o homem primitivo, muito naturalmente, se serviu para dialogar, orar, trabalhar e comunicar.

Surgida assim por razões orgânicas e espirituais, a dança passou a ter motivações de ordem sensorial, religiosa, metafísica e social.

Historicamente as danças de sedução, as danças sagradas e as danças de diversão surgiram e desenvolveram-se em paralelo, integradas nas actividades de trabalho, no diálogo de amor, no ritual ou nos vários rituais do grupo social primitivo. Elas passaram a estar presentes em quase todos os instantes da vida do clã e da tribo – nos momentos de alegria ou tristeza, de vitória ou de derrota, de perplexidade e de temor.
E do ritual à festa é um passo, até porque, em muitos aspectos, ritual e festa se confundem.

Povoados por homens e mulheres oriundos, na sua maior parte, do continente português, mas também do norte e centro da Europa, os Açores estiveram, desde o seu povoamento, expostos a influências culturais externas de tal grandeza cuja marca permanece de forma indelével nas diferentes manifestações da sua cultura popular, onde se incluí, obviamente, a música e a dança.

A gama de funções cumpridas pela música e pela dança, na vida social açoriana, não se resume ao simples entretenimento. Antes porém tem um papel integrador e de atenuamento de conflitos.
Dançar é aqui, como em todo o lado, um acto eminentemente social onde a comunidade se empenha e se exprime como tal.
Não só os que dançam na roda, os que cantam e os que tem a responsabilidade do acompanhamento musical, mas também quem, em redor, sente como sua a beleza melódica de uma “Charamba” a sensibilidade de uns “Olhos Pretos” ou a alegria de uma “Chamarrita”.