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terça-feira, 24 de março de 2009

VIVA EL-REI D. JOÃO IV

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Chegara já à Treceira a notícia de que, em Janeiro desse ano de 1641, haviam reunido as cortes em Lisboa, tendo confirmado a proclamação de D. João IV como o legítimo Rei de Portugal.

O Governador do Castelo, D. Álvaro de Viveiros, prevenia-se contra uma provável sublevação da população da ilha ordenando o reforço das defesas e do abastecimento de munições e viveres na fortaleza de Angra. A instabilidade e insegurança que se fazia sentir na cidade aliada à falta de apoio da nobreza e dos governantes levou a que Francisco de Ornelas da Câmara decidisse deslocar-se para a Vila da Praia, onde se sentiria mais seguro. Convocou, para se reunirem em conselho, a Câmara, todos os capitães da sua jurisdição, o clero, a nobreza, os religiosos dos conventos da Praia, e informou-os da sua intenção. Perante a aprovação geral, preparou-se a Aclamação. Assim, no Domingo de Ramos, que nesse ano calhou a 24 de Março, à saída da missa, em pleno adro da Matriz de Santa Cruz, Francisco Ornelas da Câmara aclamou D. João IV como rei de Portugal, jurando-lhe obediência. O povo juntou-se, e de imediato saiu uma procissão composta por todo o clero secular e regular, que percorreu toda a vila a dar vivas e aclamações ao novo rei.

quinta-feira, 20 de março de 2008

A ERMIDA DO ESPÍRITO SANTO EM ANGRA

Era o ano de mil seiscentos e quarenta, tempo da aclamação do rei D. João IV. Depois de assistir às solenidades da coroação, em Lisboa, Francisco Ornelas da Câmara, capitão-mor da Vila da Praia, regressou à Terceira com uma nobre missão: tal tinha sido o entusiasmo deste fidalgo que o rei o julgou capaz de submeter ao poder português o castelo de Angra, ainda dominado pelos castelhanos.
Ao chegar à ilha, Ornelas da Câmara comunicou ao capitão-mor da cidade de Angra, seu cunhado, João Bettencourt, a missão de que fora incumbido. Onze meses de dificuldades começaram, quer para os terceirenses que tentavam tomar o castelo, quer para os castelhanos que resistiam com bravura. Por fim estes, que haviam sofrido tantas necessidades, renderam-se honrosamente. Francisco Ornelas da Câmara tinha conseguido levar a bom termo a difícil missão, mas não gozou muito tempo o sabor da vitória. Logo apareceram invejosos e intriguistas, de entre os quais o Marquês de Castelo Rodrigo, que tentaram denegrir as qualidades do capitão-mor, conseguindo que fosse, com outros valentes terceirenses, considerado desleal à pátria e, por isso mesmo, encarcerado.
Os longos e penosos dias de prisão eram passados com amargura, mas com confiança de que o Espírito Santo seria seu protector. A filha, Emília de Ornelas, implorava a Deus a sua intercessão. Veio finalmente a sentença: a magistratura de Angra decidiu condenar à morte os acusados que apelaram para os tribunais da Corte.
Para Francisco de Ornelas e família a vida passou a resumir-se a uma difícil espera e confiança no Espírito Santo.
Os juízes de Lisboa tinham dúvidas, nada estava claro e o debate levou dias.
A vinte e três de Março, o Tribunal da Relação de Lisboa proferiu a sentença condenatória. Lavraram, com alguma relutância, a sentença. Quando os juízes iam assiná-la, entrou por uma janela da sala uma pomba alvíssima, que passando rasteira sobre a mesa, virou o tinteiro, tornando invisível o que estava escrito.
Os juízes ficaram maravilhados e concordaram que aquilo tinha sido um sinal de Deus. Lavraram então, com entusiasmo, a sentença de absolvição dos réus.
Francisco Ornelas da Câmara, devoto do Espírito Santo, ao saber o que se tinha passado, prometeu dar todos os anos um grande bodo de seis moios de trigo e seis bois, que ele serviria descalço aos pobres. Prometeu também edificar em honra ao Espírito Santo, na rua dos Quatro Cantos, uma formosa ermida e de trazer para sempre no seu brasão o emblema do Espírito Santo.