quarta-feira, 7 de janeiro de 2015
CANTAR OS REIS
terça-feira, 6 de janeiro de 2015
CANTAR OS REIS
quarta-feira, 6 de janeiro de 2010
terça-feira, 29 de dezembro de 2009
terça-feira, 23 de dezembro de 2008
BOAS FESTAS
Anda por aí um velho de barbas brancas a querer tirar o lugar ao Menino Jesus. A mim ele não engana! Quem é que vai acreditar que um velho daqueles, ainda por cima com uma enorme barriga, possa entrar pelas chaminés para deixar os presentes nos sapatinhos. É mentira! Eu cá por mim continuo a acreditar é no Menino Jesus. E não me tenho safado nada mal. Há já uns sessenta anos que nos conhecemos e durante todo este tempo Ele nunca se esqueceu de me visitar.
Foi a Ele que eu fiz o meu pedido:" Ó meu Menino Jesus traz-me este ano muita paz, amor e saúde para todas as pessoas do mundo. Também te peço que comeces pelos pobres, pelos doentes, pelas vítimas da guerra, pelos meninos que não teem família, pelos desprotegidos, pelos sem abrigo, por todos aqueles que sofrem e, se por qualquer motivo não conseguires chegar à minha casa, não Te preocupes: eu tenho recebido de Ti muito mais do que mereço".
De tudo o que tenho recebido estão em lugar de destaque todos os meus amigos. É para eles que envio os meus votos de Boas Festas no espírito do autêntico Natal do Menino Jesus.
quarta-feira, 10 de dezembro de 2008
VERSOS DE BOAS FESTAS - 7
Dos empregados de uma sapataria que, em vez de pedirem, organizaram uma rifa cuja receita reverte para a consoada.
Bilhete de uma dessas rifas:
Nº…… Preço $25 centavos
Sorteio de um elegante par de sapatos
de verniz para senhora
Esta vai por vós, senhores
Boas-Festas vimos dar,
Para a noite de Natal
Alguma coisa arranjar
Os rapazes da Sapataria da Moda
VERSOS DE BOAS FESTAS - 6
De uma casa comercial (que “saúda a todos” – sem pedir a consoada, é claro)
SAUDAÇÃO
A Casa dos Gonçalves deseja
Aos Ex.mos Fregueses seus
Boas-Festas e que o ano lhes seja
Portador das venturas dos céus
Cá na terra só uma tereis:
-Comprar muito por pouco dinheiro,
E em novecentos e dezasseis
Só o Gonçalves será barateiro
Saud’á todos com preito egual,
Nas venturas d’um ridente provir;
De norte a sul de Portugal
Que os meus votos se façam sentir.
E do passado sentido me ufano
Saúdo a todos no primeiro do ano.
Cabanas, 1-1-1916 Casa dos Gonçalves
Fonte: Rev. Lusitana
VERSOS DE BOAS FESTAS - 5
De um carteiro que logrou quem lhe fizesse poesia mais complicada:
Não há verbo mais perfeito
Mais fácil de conjugar
Entre os verbos portugueses
Que o lindo verbo dar
Tem três letras, meu senhor,
A primeira diz que “dê”,
Com a segunda quem lê
Diz que “dá” seja o que for.
O “erre” não tem valor
Mas aqui não é defeito,
Até dá um certo jeito
Para entalar a vogal;
Hão-de convir, afinal,
“Não há verbo mais perfeito”
Eu bem sei que receber,
Apesar do comprimento,
Se conjuga num momento
Com muitíssimo prazer.
E se não vamos a ver:
Conjuguem dar os fregueses,
Quatro, cinco, vinte vezes,
Que eu conjugo o mais comprido
Porque ao outro está unido
Entre os verbos portugueses
Dá-se ao pé na contradança,
Dá-se de olho às raparigas,
Ao demónio dão-se figas,
A quem ama dá-se esp’rança.
Dá-se papinha à criança,
Dá-se a consoada ao carteiro,
Dá-se ao fole na falta de ar,
Dão-se agora as boas-festas,
Eis o verbo em coisas destas
Mais fácil de conjugar.
O carteiro Malheiro
Fonte: Rev. Lusitana
terça-feira, 9 de dezembro de 2008
VERSOS DE BOAS FESTAS - 4
De um recoveiro (a quem roubaram uma capa por ocasião das festas a Sacadura Cabral e Gago Coutinho, após a travessia aérea do Atlântico)
Meus Senhores, o Freitas,
O emissário incansável,
Vem contar-vos (sorte dura!)
Que lhe roubaram a sua capa
Nos festejos do Sacadura
E para comemorar essa data,
Que para ele foi fatal,
Vem pedir que o ajudem
A comprar outra capa
Agora para o Natal.
VERSOS DE BOAS FESTAS - 3
De um carteiro
É esta árdua missão
De Vos levar Boas notícias,
Por essas ruas além,
Levando cartas, jornais
E encomendas postais,
Sem se queixar de ninguém.
Quantas vezes no inverno
Por desgraça, ó Deus eterno!
Tremendo, todo molhado,
Volta a casa quase morto
Sem ter um golo de Porto
Para ficar mais animado
E depois ao outro dia,
Vai seguindo a romaria,
Para não faltar ao dever;
É por isso que o Araújo
Há muito quem tenha inveja
De tão bons amigos ter.
O carteiro Araújo
Fonte: Rev. Lusitana
VERSOS DE BOAS FESTAS - 2
De um funileiro
Cá está ele, o funileiro
Que todo o ano deita pingos,
Mas, segundo a nova lei
Nem mais um aos domingos.
É sempre de costume
Vir a criada apressada:
Deita-me aqui um pingo
Nesta panela furada
Sim, senhora, e porque não?
Estou pronto a satisfazer
Porque espero para o Natal
A consoada receber.
Fonte: Rev. Lusitana
sábado, 6 de dezembro de 2008
VERSOS DE BOAS FESTAS - 1
De uma colecção destes versos, recolhidos e publicados por Cláudio Basto, vou transcrever alguns a partir de hoje:
BOAS FESTAS
Neste viver desgraçado
Em que a vida é cruel
Vem um pobre escorraçado
Mendigar para o farnel
Limpo botas e sapatos
É a minha profissão;
Tapo todos os buracos
Fica tudo na perfeição
Não pode levar a mal
Com a minha exigência,
De na festa do Natal
Cumprimentar Vª. Exª.
Raimundo engraxador
Fonte: Rev. Lusitana
domingo, 6 de janeiro de 2008
CANTAR OS REIS
Nesta época Natalícia e, segundo os organizadores, para se cumprir a tradição, vão realizar-se um pouco por todo o país as “cantatas de reis”. Estes eventos anunciados para se realizarem em salões de festas de sociedades recreativas, pavilhões polivalentes, sedes de juntas de freguesia, ginásios das escolas, auditórios, etc. ou tão só em forma de desfile pelas ruas principais das freguesias, vilas ou cidades são, quanto a nós, mais uma a juntar a tantas outras formas de se acabar definitivamente com a verdadeira “tradição de cantar os reis”.“Cantar os reis” tem, como qualquer outra actividade da cultura popular, um tempo, um espaço e uma função própria.
O tempo é este, em que se comemora o nascimento de Jesus e que vai desde 25 de Dezembro até 6 de Janeiro, tradicionalmente o dia de Reis. A importância deste dia conferiu-lhe, durante muitos anos, o estatuto de “dia Santo”, logo dia feriado. Em muitos países é ainda este o dia mais importante da celebração do Natal.
Nalgumas localidades o cíclo Natalício só termina a 2 de Fevereiro, dia dedicado à luz, às estrelas ou às candeias. Dia em que a liturgia Católica comemora Nossa Senhora das Candeias ou da Candelária. Tradicionalmente era também durante este período que se realizavam as matanças do porco. Assim os ranchos de Reis tanto saíam para cantar loas ao “menino Jesus” como para enaltecer os “toucinhos” de uma matança. As toadas com que o faziam eram em todo semelhantes na estrutura, embora com variantes melódicas para cada uma das funções.
Os espaços em que se movimentavam estes ranchos eram as casas dos amigos e dos familiares em visitas, quase sempre de surpresa, para provar a “mija do menino”, ou no caso das matanças, para se avaliar e comparar os predicados do “porco”. Daí que a função desta manifestação fosse essencialmente social.
E hoje? Não será possível continuar a tradição sem a desvirtuar nestes princípios? Claro que sim. É perfeitamente possível. É o que temos feito de há 15 anos a esta parte, de uma forma pioneira e que, felizmente, tem motivado o aparecimento de outros ranchos: continua a celebrar-se o Natal e a haver matanças do porco; continua a haver amigos e a realizarem-se visitas; apesar dos tempos, o homem continua a ser “animal” social. Assim a tradição, a verdadeira tradição, não está, aparentemente, em perigo de se perder. A não ser que os poderes percam por completo o juízo e teimem em continuar a “meter a foice em seara alheia”.




