Em Fevereiro se a Candelária chora, está o Inverno fora; se rir o Inverno está para vir.
Tanta chuva pelas candeias, tantas abelhas para as colmeias.
Quando não chove em Fevereiro, nem prados nem centeio.
Quando não chove em Fevereiro, nem bom pão nem bom lameiro.
Fevereiro quente trá-lo o diabo no ventre.
Lá vem Fevereiro que leva a ovelha e o carneiro.
Feveriro leva o rabo ao meu carneiro.
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sábado, 31 de janeiro de 2009
terça-feira, 2 de dezembro de 2008
A FÉ É QUE NOS SALVA
“Uma rapariga que estava muito doente e já desenganada dos médicos, pediu ao noivo, que ia a Jerusalém, que lhe trouxesse da cidade santa um pedaço da madeira da Cruz em que Christo foi pregado, para tomar em vinho, a ver se assim melhorava. O namorado esqueceu-se do pedido da moribunda e, na volta, cortou um bocado de madeira do navio em que vinha, para enganar a rapariga, e como esta se achasse curada completamente, depois de o tomar, dissolvido em vinho, elle então comentava: A fé é que nos salva neja o páo da barca”.
Este conto tradicional, provavelmente incompleto, foi recolhido em S. Miguel, mas acreditamos que era conhecido nas restantes ilhas dos Açores e até mesmo no continente Português.
Outro conto que também justifica o rifão foi registado no Fundão:
“Duma ocasião mandaram um homem à cata dum saibio, pra curér’ mas maleitas. Na caminho perdeu-se e incontrou um rio. Atravessou-o atão n’ma barca, mas ‘squeceu-se de proguntar pelo saibio. Quando voltou, trouxe um bocadinho de pau da barca, mandou fazer um coz’mento, e dixe qu’o saibio é que tinha mandado. E com tam bôa fé o boêram, que figirem nas maleitas. E o homem dezia atão qu’a fé é que nos salva, e noêja o pau da barca”.
.O que ambos os contos têm em comum é o lapso de memória do personagem, sendo este acidente o elemento central que prepara e justifica a conclusão. Se no primeiro conto não encontramos pistas que nos levam a determinar qual a razão para o esquecimento do noivo, já no segundo, recorrendo à sabedoria popular, podemos descobrir a causa próxima que levou o homem a obliterar o motivo da sua missão: atravessar um rio. Com efeito Leite de Vasconcelos registou alguns factos curiosos sobre as crendices populares relacionadas com as águas, como esta: "Quem atravessar um rio deve apanhar um seixinho e metê-lo na boca para se não esquecer do modo de falar da sua terra". Ou esta outra tradição popular antiga em que se acredita que "atravessar um rio faz perder a memória a quem o passa".
Este conto tradicional, provavelmente incompleto, foi recolhido em S. Miguel, mas acreditamos que era conhecido nas restantes ilhas dos Açores e até mesmo no continente Português.
Outro conto que também justifica o rifão foi registado no Fundão:
“Duma ocasião mandaram um homem à cata dum saibio, pra curér’ mas maleitas. Na caminho perdeu-se e incontrou um rio. Atravessou-o atão n’ma barca, mas ‘squeceu-se de proguntar pelo saibio. Quando voltou, trouxe um bocadinho de pau da barca, mandou fazer um coz’mento, e dixe qu’o saibio é que tinha mandado. E com tam bôa fé o boêram, que figirem nas maleitas. E o homem dezia atão qu’a fé é que nos salva, e noêja o pau da barca”.
.O que ambos os contos têm em comum é o lapso de memória do personagem, sendo este acidente o elemento central que prepara e justifica a conclusão. Se no primeiro conto não encontramos pistas que nos levam a determinar qual a razão para o esquecimento do noivo, já no segundo, recorrendo à sabedoria popular, podemos descobrir a causa próxima que levou o homem a obliterar o motivo da sua missão: atravessar um rio. Com efeito Leite de Vasconcelos registou alguns factos curiosos sobre as crendices populares relacionadas com as águas, como esta: "Quem atravessar um rio deve apanhar um seixinho e metê-lo na boca para se não esquecer do modo de falar da sua terra". Ou esta outra tradição popular antiga em que se acredita que "atravessar um rio faz perder a memória a quem o passa".
Fonte: José Monteiro
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sábado, 19 de abril de 2008
ADÁGIOS DE ABRIL
Abril chuvoso, Maio ventoso e Junho amoroso, fazem um ano formoso
Abril frio e molhado, enche o celeiro e farta o gado
Abril frio: pão e vinho
Abril leva as peles a curtir
Abril molhado, sete vezes trovejado
Abril, Abril, está cheio o covil.
Abril, ora chora ora ri
Ao principio, ou ao fim: Abril costuma ser ruim
As manhãs de Abril são boas de dormir
Em Abril a natureza ri
Em Abril águas mil coadas por um funil.
Em Abril águas mil.
Em Abril queima a velha o carro e o carril.
Em Abril sai o bicho do covil.
Em Abril vai a velha onde quer ir e a sua casa vem dormir.
Em Abril cada pulga dá mil
Em Abril de uma nódoa tira mil
Em Abril lavra as altas, mesmo com água pelo machial.
Em Abril vai onde deves ir, mas volta ao teu covil.
Frio de Abril, nas pedras vá ferir
Guarda pão para Maio e lenha para Abril.
Inverno de Março e seca de Abril, deixam o lavrador a pedir.
Não há mês mais irritado do que Abril zangado.
Negócio de Abril só um é bom entre mil.
No princípio ou no fim, costuma Abril a ser ruim.
Por Abril, corta um cardo e nascerão mil.
Quando vem Março ventoso, Abril sai chuvoso.
Quem em Abril não varre a eira e em Maio não rega a leira, anda todo o ano em canseira.
Uma água de Maio e três de Abril valem por mil.
Vinha que rebenta em Abril dá pouco vinho para o barril.
Abril frio e molhado, enche o celeiro e farta o gado
Abril frio: pão e vinho
Abril leva as peles a curtir
Abril molhado, sete vezes trovejado
Abril, Abril, está cheio o covil.
Abril, ora chora ora ri
Ao principio, ou ao fim: Abril costuma ser ruim
As manhãs de Abril são boas de dormir
Em Abril a natureza ri
Em Abril águas mil coadas por um funil.
Em Abril águas mil.
Em Abril queima a velha o carro e o carril.
Em Abril sai o bicho do covil.
Em Abril vai a velha onde quer ir e a sua casa vem dormir.
Em Abril cada pulga dá mil
Em Abril de uma nódoa tira mil
Em Abril lavra as altas, mesmo com água pelo machial.
Em Abril vai onde deves ir, mas volta ao teu covil.
Frio de Abril, nas pedras vá ferir
Guarda pão para Maio e lenha para Abril.
Inverno de Março e seca de Abril, deixam o lavrador a pedir.
Não há mês mais irritado do que Abril zangado.
Negócio de Abril só um é bom entre mil.
No princípio ou no fim, costuma Abril a ser ruim.
Por Abril, corta um cardo e nascerão mil.
Quando vem Março ventoso, Abril sai chuvoso.
Quem em Abril não varre a eira e em Maio não rega a leira, anda todo o ano em canseira.
Uma água de Maio e três de Abril valem por mil.
Vinha que rebenta em Abril dá pouco vinho para o barril.
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quinta-feira, 20 de março de 2008
ADÁGIOS DO MÊS DE MARÇO
A sabedoria do povo bem como a sua experiência de vida individual e colectiva revelam-se de várias formas, onde podemos incluir também os adágios, rifões, anexims, provérbios, ditames, etc. . Estes ditos populares encerram, em síntese, o seu modo de sentir e reagir às mais variadas situações bem como o aconselhamento à resolução dos problemas com que se deparam no seu dia a dia, veiculando assim determinadas práticas de geração em geração. Muitas destas “sentenças” são comuns a todo o espaço nacional. Outras, porém, são específicas de determinada região.
Ficam aqui alguns sobre o mês de Março. Daqueles que ouvimos e ainda temos em memória.
Em Março chove cada dia um pedaço.
Em Março queima a velha o maço
Março amoroso faz o ano formoso.
Março amoroso, Abril chuvoso, Maio ventoso e S. João calmoso, fazem o ano formoso.
Março marçagão, de manhã focinho de cão, de tarde sol de verão.
Março marçagão, de manhã focinho de cão, ao meio-dia de rainha e à noite de fuinha.
Março trovejado, ano melhorado.
Março ventoso, Abril chuvoso
Quando o Março sai ventoso, sai o Abril chuvoso
Quem poda em Março vindima no regaço.
Se ouvires trovejar em Março, semeia no alto e no baixo.
Se queres bom cabaço, semeia-o em Março.
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